terça-feira, 31 de maio de 2011

Sebem Entrevista Vagabanda

Faculdade de Rimas - Kuduro brasileiro



Música Africana
http://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2010/07/g1-lista-15-discos-para-conhecer-musica-africana.html

sábado, 28 de maio de 2011

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Breve entrevista com Alberto da Costa e Silva

O diplomata, ensaísta, poeta, historiador e africanólogo Alberto da Costa e Silva completa 80 anos e lança nova edição de seu livro: A Enxada e a Lança: a África antes dos Portugueses. Ele fala sobre: a Casa Grande e sua relação com a Senzala, o ineditismo da escravidão "racial", as "Áfricas" e suas culturas, a relação dele com o pai poeta, a perda da esposa, os próximos livros.

Clique aqui para ver a entrevista dada ao jornalista Edney Silvestre no programa Espaço Aberto Literatura da Globo News.

sábado, 14 de maio de 2011

Roadie Crew: discurso e tradição.

No presente texto, trato brevemente de questões relativas à fase inicial da minha monografia, cujo objeto de estudo é a revista especializada em heavy metal, Roadie Crew.

Em 1994, surgiu o fanzine brasileiro Roadie Crew, que se tornara a Revista Roadie Crew, três anos depois, motivada pelo Philips Monster of Rock, evento realizado no estádio do Pacaembu, na cidade de São Paulo, em 27 de agosto de 1994 (ROADIE CREW, 2007).
O evento contou com a apresentação das bandas brasileiras: Dr. Sin, Angra, Raimundos e Viper, além das internacionais: Suicidal Tendencies, Kiss, Slayer e Black Sabbath. O festival representou um momento muito especial para o heavy metal no Brasil, pois foi o primeiro concerto da banda Black Sabbath no país.
A publicação, segundo seus autores, já trazia em seu bojo o princípio editorial básico – “valorizar a música pesada, sem constrangimento de dizer abertamente que se trata de uma publicação cuja matéria-prima principal é o heavy metal” – como podemos ver, na fala do editor do fanzine, tratava-se de uma publicação passional.
Neste primeiro momento, a publicação não tinha pretensões de natureza comercial, pois um fanzine (fanatic magazine) trata-se de uma revista editada por fãs, não comportando em sua ideia originária nenhum valor de natureza comercial. Pelo contrário, os fanzines nascem geralmente num contexto de contracultura e pretendem ser um informativo sobre alguma temática específica. Outro sentido de tal tipo de publicação é o de rivalizar com os mass media tradicionais.
Após três anos com frequência irregular, distribuição e quantidade limitadas, surge a Roadie Crew Editora Ltda, com sede em São Paulo, constituída com o “desejo de profissionalização”, que possibilitou a criação da revista, além de também investir na elaboração de um site na internet.

O meu objetivo com a pesquisa é analisar um suposto discurso de identificação, construído pela revista, que a partir de recorrentes visitas ao passado, ressalta valores e características essenciais do heavy metal da década de 1980, tais como, os que são definidos por agressividade, peso sonoro e fidelidade musical (WEINSTEIN, 2000).

O frequente apelo à memória é uma das marcas discursivas mais comuns da revista e podemos encontrá-las com alguma frequência no discurso dos três atores enunciativos presentes na publicação: os jornalistas, os músicos e os leitores.

Geralmente, tal deslocamento é feito com o intuito de explicar ou justificar uma demanda do cotidiano. No caso da revista, acontece quando faz suas críticas sobre novos álbuns, shows e bandas, no do músico, quando fala acerca de suas influências estéticas e, no caso do leitor (headbanger), quando exprime seu gosto por uma banda ou estética.

Em todo o caso, os elementos retóricos mais enfáticos da Revista são construídos com os poderosos argumentos que idealização uma tradição, objetivando, de algum modo, um desejo por um determinado padrão de conduta e produção estética do heavy metal.

Parto hipoteticamente das ideias nativas, presentes no texto da Revista, de “real” e “falso”, referências muito comuns às “bandas reais” – que têm fortes vínculos com a tradição – e as “bandas falsas”, isto é, entendidas como comerciais ou “modinhas” que não teriam ligação com o heavy metal "tradicional", bem como aos adeptos e músicos envolvidos nesse estilo de vida.

Quanto à metodologia, no primeiro momento, farei uma análise objetivando uma contextualização da Revista desde seu surgimento. A abordagem priorizará a análise sobre o entendimento do corpo e das linhas editoriais, a hierarquização burocrática, as informações comerciais sobre vendas e tiragem, o diálogo com empresas fonográficas, de acessórios e de instrumentos musiciais, bem como, a política de direção, de relação com colaboradores nacionais e estrangeiros e a sua inserção no mercado midiático da música em geral.

No segundo momento, por meio da análise do discurso de origem francesa, visando compreender as estratégias discursivas, sua qualidade performativa, analisarei o emprego de elementos verbais e não-verbais utilizados na publicação e na construção da política editorial e, sobretudo, como essa linguagem constrói, regula e dissemina um conhecimento especializado.

Referências bibliográficas:
ROADIE CREW. 100 grandes álbuns- heavy metal e classic rock, São Paulo. ano 10, n°100, 2007.
WEINSTEIN, Deena. Heavy Metal: the music and its culture. Capo Press, rev. ed. 2000

terça-feira, 10 de maio de 2011

“PUXO O CAVAQUINHO PRA CANTAR DE GALO”: ESTILO DE VIDA, CONFLITO E SOLIDARIEDADE NO CIRCUITO DO CHORO DE ARACAJU.

(por Daniela Moura Bezerra)

A proposta do presente texto é a de apresentar brevemente os encaminhamentos adotados para a elaboração de minha Dissertação de Mestrado em Sociologia (em andamento), um trabalho que tem dado continuidade as discussões apresentadas na monografia de conclusão de curso em Ciências Sociais, no ano de 2008.

Em linhas gerais, o objetivo é o de estudar a presença e a consolidação do estilo musical conhecido por choro, na cidade de Aracaju/ SE. Segundo Fortuna (1998), a abordagem sonora da cidade, sendo a música apenas um desses sons, representa uma faceta que permite conhecer e entender as trajetórias, configurações sociais, os estilos de vida e as formas de estrutura social. A idéia defendida aqui é a de que a prática do choro – seja por tocá-lo ou por freqüentar os locais em que este pode ser ouvido – acaba por definir um estilo de vida com padrões particulares na cidade. Conforme argumenta Featherstone (1995), os estilos de vida representam as disposições, práticas culturais e formas de lazer que possibilitam a demarcação de fronteiras entre grupos. Tais fronteiras são estabelecidas principalmente pelo acúmulo de prestígio e de critérios legitimadores em um dado campo social. Os estilos de vida, portanto, podem servir de demarcadores espaciais das cidades, que são entendidos neste caso como circuitos. Utilizo tal categoria para descrever e analisar os usos que um determinado grupo faz do espaço urbano (MAGNANI, 1999).

O circuito aracajuano do choro é composto atualmente por sete grupos, que se reúnem em bares, restaurantes e residências, localizados em diferentes pontos da cidade. A estratégia adotada para a identificação desses conjuntos foi a de utilizar as indicações dos próprios participantes para encontrá-los, o que além de indicar os espaços, revelou a existência de rivalidades no circuito, tendo em vista que o fato de não mencionarem outros grupos não se devia ao não conhecimento dos mesmos, mas sim a falta de afinidade, quer musical, quer afetiva entre eles. Deste modo, é possível afirmar que tal circuito encontra-se fragmentado e no conflito os grupos reivindicam para si o título de “verdadeira boemia aracajuana”.

Entender quais são os critérios ativados ao se tomar o próprio choro enquanto estilo de vida constitui, deste modo, o cerne do trabalho. A análise das entrevistas revelou na tentativa de legitimação cada grupo destaca ou ativa uma particularidade, tais como: ser um virtuoso (músico excepcional), ser o grupo mais antigo, promover constantemente eventos relacionados ao choro, ser o grupo mais atuante, entre outras. Estes são considerados nesse universo musical critérios legítimos. Contudo, a maneira que o circuito está organizado dá indicações da existência de outros recursos, talvez até de maior peso nesse processo, perceber quais são estes é o que se propõe a pesquisa.

O desenvolvimento metodológico do trabalho acorreu em algumas etapas. Após a identificação do atual circuito, foi feito um levantamento a respeito do que se tem escrito a respeito do choro. Foram lidas reportagens de revistas especializadas e jornais locais, livros que contam a história do estilo musical no Brasil e trabalhos acadêmicos referente ao mesmo. Também foram revistos os vídeos, anotações de campo e transcrições feitas no desenvolvimento do trabalho de monografia. Por fim, foi realizada a observação de campo que consistiu em frequentar os locais produtores do choro em Aracaju.

A proposta de Dissertação está estruturada em três capítulos, o primeiro, intitulado Por uma sociologia da música: as representações do choro no cenário musical brasileiro, inicialmente situa a proposta metodológica do presente trabalho. Em seguida, apresentamos o que para fins de análise classificamos de “histórias oficiais” sobre o gênero no país e com o intuito de se perceber de que maneira as narrativas, a respeito do seu desenvolvimento no Brasil, têm servido como uma estratégia de legitimação na escolha do ouvir e do executar o choro. Também discutimos o papel da Rádio Aperipê na sustentação e manutenção do estilo musical e a criação do Projeto Cidade do Chorinho, pelo governo estadual.

No segundo capítulo, Discursos e práticas de diferença e identificação no circuito do choro de Aracaju, apresentamos como o choro tem se constituído em um estilo de vida, pois acreditamos que esse tipo de música tem desempenhado um papel central na vida do grupos estudados. Posteriormente, analisaremos os discursos e práticas de diferença e identificação que compõem o circuito do choro e que têm contribuído para o surgimento de ralações de rivalidade e solidariedade entre os grupos. O último tópico apresenta um estudo comparativo entre as rodas de choro e casas de serestas encontradas no Bairro Industrial da cidade. Para isso, buscamos perceber se a diferenciação entre os estilos é uma questão de técnica musical ou de contexto social.

No terceiro e último capítulo, A busca por legitimidade no contexto das rodas de choro da cidade, fazemos um estudo sobre os trajetos dos músicos no circuito, ou seja, das escolhas feitas por estes no circuito. A idéia defendida aqui é de que essas escolhas em muito dependem de suas histórias de vida e que, por sua vez, conferem prestígio ou não a eles. Também serão abordadas as retóricas identitárias que constroem a figura do ser chorão em Aracaju.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

FEATHERSTONE, Mike; SIMÕES, Julio Assis (Trad.). Cultura de consumo e pós modernismo. São Paulo: Studio Nobel, 1995
FORTUNA, Carlos. Imagens da cidade: sobre a heurística das paisagens sonoras e ambiente sociais urbanos. Coimbra: Centro de Estudos Sociais, Nº 104, 1998.
MAGNANI, Jose Guilherme Cantor. Mystica urbe: um estudo antropológico sobre o circuito neo -esotérico na cidade. São Paulo: Estudo Nobel, 1999.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Produção, Consumo e Estilo de vida: o Rock e o Sertão em Sergipe


O presente texto irá tratar de alguns pontos referentes ao meu projeto de pesquisa aprovado para o Mestrado de Antropologia Social – UFS. O trabalho intitulado “Produção, consumo e estilo de vida: o Rock e o Sertão em Sergipe”, tem como referencial teórico os Estudos Culturais, estudos da juventude, do estilo de vida e do consumo. Nesse contexto, tenho como objeto de pesquisa o evento Rock Sertão, que acontece no município sergipano de Nossa Senhora da Glória (Situada no sertão sergipano a 126km da capital e com 30.466habitantes, segundo dados do censo de 2008 do IBGE) desde o ano de 2001 e que no de 2011 está em sua 9ª edição.


A partir de pesquisa feita no Blog - www.rocksertao.com.br/blog/ - idealizado pela comissão organizadora do evento, obtive conhecimento de que festival Rock Sertão surgiu a partir da necessidade dos integrantes de uma banda de rock local, chamada Fator RH, em divulgar seu trabalho e promover um intercâmbio entre as bandas que se intitulam alternativas (termo para designar grupos à margem do circuito midiático) e independentes (termo usado para designar bandas sem vínculo com gravadoras renomadas) para que elas também pudessem ter um espaço para demonstrar suas músicas.


De acordo com os idealizadores, a idéia pensada para o festival era a de que as bandas alternativas de vários estilos musicais pudessem demonstrar suas produções, sem cobrar cachê, num evento que ocorreria em praça pública para que assim se pudesse formar um público maior para esse estilo musical e atender os anseios do público local. Além disso, buscava-se também através do festival o acesso a uma produção musical oriunda da própria região e o estimulo ao surgimento de novas bandas de rock, contrapondo-se aos estilos musicais mais evidenciados pelas propagandas de governo em Sergipe e pela mídia comercial, como: o forró, o pagode e o axé.


O festival, ao longo de sua trajetória, foi sendo ampliado e tem conseguindo espaço de divulgação local através de um programa que vai ao ar aos domingos na Rádio Comunitária “Boca da Mata FM” e que toca diversas músicas do cenário do rock independente sergipano. Através do festival, o público pode também comprar materiais das bandas, como CD’s, camisetas, adesivos e conhecendo melhor a produção das bandas.

O público e a participação no evento foram se ampliando. As pessoas começaram a ligar para a rádio Boca da Mata e pedir que tocassem as músicas das bandas que participavam do evento, fato que propiciou a organização decidir quais bandas poderiam tocar e agradar o público local. Dessa maneira, eles foram atraindo cada vez mais público, até que na 6ª edição chegaram a participar 16 bandas sergipanas e um cantor de reconhecimento nacional: Zeca Baleiro. A partir dessa aceitação local, o festival foi também chamando atenção da mídia sergipana, tendo sua programação divulgada na maior emissora de TV sergipana, vinhetas divulgadas nas rádios, divulgação na internet e em blogs, além de na penúltima e última edição contar com o apoio do poder público estadual para a realização do festival.
Dito isto, o objetivo geral da pesquisa é analisar a partir do festival Rock Sertão, o consumo cultural e estilos de vida dos jovens produtores e consumidores do festival e sua relação com o que este evento significa em Sergipe.


Como metodologia da pesquisa, proponho contextualizar a trajetória do surgimento do festival, como ele se firmou, como é financiado, como é caracterizado e produzido, através de entrevistas com os produtores do evento. Estou acompanhando, através da observação direta, toda a logística dos dias que antecedem o festival deste ano, e estarei presente nos dias de realização do evento. Etnografar o momento do festival, analisando os atores presentes (produtores, músicos e consumidores), como agem, como se movimentam, como se vestem, suas percepções sobre o evento, suas relações de sociabilidade, usos dos espaços, apropriações simbólicas e expressões que aproximam a análise sobre o consumo do festival, bem como sobre um estilo de vida próprio. Além disso, a idéia é entrevistar atores do setor midiático municipal e estadual a fim de entender suas percepções sobre o festival e como ele se situa diante do contexto do mainstream cultural sergipano.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Publications - Others - Antropologia no Mundo

Acessem site com vária revistas na área de Antropologia, no cenário internacional. Publications - Others

quinta-feira, 21 de abril de 2011

JUVENTUDE E ESTILOS DE VIDA: OS USOS DOS LUGARES DE LAZER E SOCIABILIDADES NO BAIRRO SIQUEIRA CAMPOS

Por Mateus Antonio de Almeida Neto

No presente texto, eu tentarei estruturar algumas informações sobre minha pesquisa de mestrado em Antropologia Social (UFS), que versa sobre a juventude num bairro de Aracaju, estado de Sergipe, Brasil.. O problema de pesquisa gira em torno dos usos dos lugares de lazer e sociabilidades, onde jovens realizam processos de identificação e construtos de estilos de vida em territorialidades que se conflituam no espaço público da rua. Meu objetivo é analisar os processos identitários juvenis praticados nos usos dos lugares de lazer e sociabilidades no bairro Siqueira Campos. Nesse sentido, de forma mais operacional, delimitei a pesquisa a partir quatro estilos de vida juvenis distintos presentes no bairro: galera do "heavy metal", do "hip hop", do "reggae", e, principalmente, dos jovens que se identificam como do "pagode baiano". Tenta-se perceber as tensões, os gostos, as formas de lazer e o consumo cultural entre estes estilos de vida no uso desses espaços.

Localizado na zona oeste da cidade de Aracaju, “porta de entrada e saída da capital sergipana”, o bairro Siqueira Campos no final do século passado, aos poucos, tornou-se um grande pólo comercial. Hoje à área do bairro é recortada por vários estabelecimentos comerciais. A partir daí, constata-se pelos dados demográficos a diminuição de uma população permanente. No entanto, ao seguir a estratégia das caminhadas pela materialidade do lugar, nota-se um relativo aumento de uma população flutuante a procura das mercadorias, dos equipamentos urbanos e do consumo cultural ofertados nos estabelecimentos comerciais, de lazer e entretenimento, funcionando como ponto de referência para um número mais diversificado de freqüentadores ao permitir a circulação de indivíduos de várias procedências e estilos de vida juvenis distintos.

O referencial teórico que utilizo dialoga com os estudos sobre a temática das culturas juvenis, dos usos dos espaços de lazer e sociabilidades, do cotidiano, dos estilos de vida e das identidades culturais. Segundo Pais (2003, p. 70), as culturas juvenis têm que ser entendidas a partir de seus contextos vivenciais, cotidianos, “[...] isto é, no curso das suas interações, que os jovens constroem formas sociais de compreensão e entendimento que se articulam com formas específicas de consciência, de pensamento, de percepção e acção”.

Os estudos sobre os estilos de vida e das identidades culturais juvenis apontam que os contatos socioculturais, nesse sentido, supõem proponentes de uma cultura de consumo que se configuram a partir de símbolos, elementos culturais, como: vestuário, cortes de cabelo, gostos musicais, formas de lazer envolvendo grupos de amigos e territorialidades efêmeras, que denotam certas sensações constantes de segurança ontológica entre os praticantes nos usos desses espaços. (FEATHERSTONE, 1995).

Divido o trabalho em três capítulos. Inicialmente, no primeiro capítulo, Espaços de lazer e
sociabilidades no bairro Siqueira Campos: lugares e estilos de vida
; dedico-me a traçar um panorama sobre o bairro. A análise se dá a partir da descrição do território, dos espaços de lazer, das vivências e das sociabilidades no cotidiano do bairro a partir de uma estratégia metodológica que implica caminhadas sistemáticas pela paisagem.

O percurso teórico utilizado no segundo capítulo, O cotidiano, os usos e os discursos da juventude sobre os lugares, paira sobre dois grandes eixos da antropologia: os usos dos espaços de lazer e sociabilidades cotidianas, e os processos identitários juvenis, como construtos de estilos de vida. Em relação ao primeiro eixo, procuro evidenciar os discursos sobre os usos e as práticas que caracterizam a cultura juvenil nesses espaços. Estabeleço a discussão sobre a categoria circuito como conceito analítico, salientando a sua importância na análise do significado e da experiência proporcionada pelos jovens e seus processos de identificação mediados pelas ações simbólicas. Pretendo, com isto, evidenciar os gostos, o consumo cultural, os grupos e as territorialidades no bairro.

No terceiro e último capítulo, intitulado, Processos identitários juvenis no Bairro Siqueira Campos, busco a partir das reflexões de Gilberto Velho (1979), pôr-me no lugar do “outro”, observando seus estilos de vida, as tensões entre os grupos identitários, o consumo e as experiências particulares realizadas nos espaços de lazer e sociabilidades no âmbito do bairro. Como diz o autor, trata-se de transformar o familiar em exótico e estranhar o que está próximo, pois o que encontramos pode ser familiar, mas não necessariamente conhecido, e o que não vemos e encontramos pode ser exótico, mas, até certo ponto, conhecido.

Essa parte do trabalho dedica-se a perceber e analisar os processos identitários dos jovens nos usos dos lugares de lazer e sociabilidades no Bairro Siqueira Campos. Trata-se de evidenciar, primordialmente, quatro grupos juvenis de estilos de vida distintos: a galera do heavy metal, do hip hop, do reggae e principalmente os pagodeiros. Nesse sentido, busco compreender como cada um dos grupos percebe os “outros” e como vêem a “si” mesmos, além de analisar como eles se caracterizam e como se relacionam com os espaços de lazer e sociabilidades no bairro, imprimindo um sentido aos territórios.

Referências bibliográficas

FEATHERSTONE, Mike. Cultura de Consumo e Pós-modernismo. São Paulo, Studio Nobel, 1995.
HALL, Stuart. A identidade cultural na pós-modernidade. 10. ed. Rio de Janeiro: DP&A, 2006.
MAGNANI, José Guilherme Cantor. “Os circuitos dos jovens urbanos”. In: Tempo Social, revista de sociologia da USP, v. 17, n. 2, 2005, pp. 173-205. Disponível em:http://www.scielo.br/pdf/ts/v17n2/a08v17n2.pdf.
PAIS, José Machado. Culturas Juvenis. Edição: Imprensa Nacional Casa da Moeda, 2003.
VELHO, Gilberto. Desvio e divergência: uma crítica da patologia social. 3. ed. Rio de Janeiro, RJ: Zahar, 1979.