segunda-feira, 26 de outubro de 2020

Juventudes e desigualdades sociais em tempos de crise e de radicalização política

Mesa Redonda realizada no âmbito do III Seminário Nacional de Sociologia da UFS



Prof. Dr. Carles Feixa  (Universitat Pompeu Fabra – Barcelona/Espanha),  
Prof. Dra. Alcinda Howana  (London School of Economics and Political Sciences – Londres /UK)
Prof. Dra. Mariana Chaves (Universidad Nacional de La Plata – La Plata/Argentina) 
Mediador:  Prof. Dr. Frank Marcon  (PPGS – Universidade Federal de Sergipe)  

A proposta desta mesa é trazermos diferentes reflexões que consideramos urgentes sobre o tema juventudes no presente, levando em conta o fenômeno mais geral da radicalização política, do avanço dos liberalismos nacionalistas, do aumento das desigualdades sociais e dos efeitos da crise provocada pela pandemia SARS-COVID, que tem afetado particularmente a vida das e dos jovens e suas possibilidades de construção de autonomia social e suas relações intergeracionais. Os três convidados falam a partir de lugares e sociedades bastante distintos, especificamente a partir de olhares sobre Europa, África e América Latina, embora com um amplo trabalho que os conecta em torno de questões, como: as culturas juvenis, as desigualdades e vulnerabilidades sociais, as violências, a moratória social vivenciada pelas juventudes, as agências políticas e as relações intergeracionais. O objetivo é promover o encontro e o debate entre as reflexões atuais destes autores e a contribuição de seus estudos para as Ciências Sociais. 

quarta-feira, 23 de setembro de 2020

Processos de Identificação e Desigualdades nas Relações Étnico-Raciais, Intergeracionais e de Gênero

Sessão 01 - GT 03 (no Seminário Nacional de Sociologia da UFS) 

Sessão 02 - GT 03 (no Seminário Nacional de Sociologia da UFS)

Sessão 03 - GT 03 (no Seminário Nacional de Sociologia da UFS)

Sessão 04 - GT 03 (no Seminário Nacional de Sociologia da UFS)

(Acesse os links acima para acesso as gravações das sessões do GT). 

Desde o ano de 2016, com as mudanças políticas em vários país es e a ascensão de movimentos conservadores extremistas, que culminaram nas eleições brasileiras de 2018, vivemos uma série de retrocessos no que se refere às políticas, às práticas sociais e aos discursos promotores da igualdade, do respeito à diferença e dos direitos humanos, que afeta diferentes segmentos sociais, bem como o reconhecimento de suas existências e as diferentes formas de identificação social e de grupos étnicoraciais, de gênero e de idade, por exemplo. Ao mesmo tempo, emergem discursos e práticas identitárias com ênfases nacionalistas, que rotulam e desqualificam a pluralidade das identidades sociais, sua luta por reconhecimento, por participação social e por redistribuição. Neste sentido, atualmente, não apenas alguns segmentos sociais, mas também certos governos têm contribuído para o fenômeno de disputas em torno das perspectivas de identificação, buscando o esvaziamento e a aniquilação dos sentidos políticos, das solidariedades coletivas e dos simbolismos socialmente constituídos, a partir das relações de poder que provocam preconceitos, hierarquização, exclusão e desigualdades sociais. Pensando nesta reconfiguração das tensões identitárias nos últimos anos, pretendemos acolher neste GT trabalhos com diferentes recortes empíricos e propostas metodológicas que investiguem o tema dos processos identitários, especialmente aqueles que busquem avançar nas análises de compreensão deste fenômeno a partir do modo como são afetadas as relações étnico-raciais, intergeracionais e de gênero, incluindo aí suas interseccionalidades, e reflitam sobre como se aprofundam as desigualdades e as exclusões sociais nos últimos anos, como também trabalhos que visibilizem alternativas e experiências que se tencionam contra este fenômeno excludente.


 

Prof. Dr. Frank Marcon (PPGS/GERTs)

Prof. Dra. Danielle de Noronha (DCOS/GERTs)

Coordenadores do GT

terça-feira, 15 de setembro de 2020

ESTUDOS SOBRE JUVENTUDES

 



GRUPO DE TRABALHO SOBRE JUVENTUDES

 

Supervisão: Dr. Frank Nilton Marcon.

 

 

Coordenação:

Msc. Mateus Antonio de Almeida Neto

Msc. João Víctor Pinto Santana

 

 

Sessão 1: Considerando a clássica teoria sobre os estudos subculturais, a sessão 1 (intitulada: “Práticas e representações juvenis”) visa debater sobre as agências estetizadas que se verificam nas novas formas de protagonismo juvenil, como é o caso dos ativismos e protestos sociais que partem de um processo de socialização no universo digital. Portanto, entender as formas de acionamento, estetização, mobilização, sentidos de resistência e reivindicação se tornam essenciais nesse contexto.

 

Sessão 2: Buscando compreender o conceito de geração nas teorias sobre juventudes, bem como debater sobre o problema da juventude na sociedade moderna, a sessão 2 (sob o título: “Geração nas teorias sobre juventudes”) parte da premissa de que é necessário um aprofundamento acerca da teorização sobre os estudos geracionais na sociologia das juventudes.

 

Sessão 3: Tendo o objetivo de refletir sobre as diversas formas de precarização, nas esferas: simbólica, econômica e social, que envolvem a juventude contemporânea é importante dimensionar as facetas do fenômeno social denominado de: “juvenicídio moral”, bem como suas causas e efeitos na realidade prática e no estilo de vida dos jovens. 

Sessão 4: Sabe-se que a relação entre juventude e políticas públicas é um pilar fundamental na compreensão sociológica das juventudes. Por este motivo, a sessão 4 visa debater sobre as concepções sociológicas de juventude com a perspectiva de problematizar o alcance e efetividade de políticas de/para/com a(s) juventude(s), assim como a questionar a visão “romatizada” e, ao mesmo tempo, pejorativa, da relação entre juventude e política.

 

Roda de conversa: Na tentativa de proporcionar uma maior aproximação entre o espaço acadêmico (pós-graduação e graduação) e a comunidade, a proposta do GT Juventudes é realizar uma roda de conversa para debater o tema “Juventudes em tempos de pandemia e o universo digital”, por ser uma temática atual e que proporciona um olhar reflexivo sobre a juventude nesse contexto social de pandemia do coronavírus (covid-19). A pretensão dessa roda de conversa, portanto, é concluir o ciclo de debates teóricos com uma troca de experiência a partir das práticas dos jovens durante esse contexto de precarização social, ineficácia de políticas públicas e protagonismo social da juventude.

 

 

BIBLIOGRAFIA

·         Sessão 1 – Tema: “Práticas e representações juvenis”  (25/08/2020)

 

 

CLARKE, John. Estilo. In: HALL, Stuart; Jefferson , Tony (Eds.). Rituales de resistencia: subcultruas juveniles en la Gran Bretaña de postguerra. Primeira edición de Traficantes de Sueños. Traducción: A. Nicolás Miranda; Rodrigo O. Ottonello; Fernando Palazzolo. Madrid: Gráfica Lizara, 2014. pp. 271-291. 

 

MARCON, F. Agências Estetizadas, Geração Digital, Ativismos e Protestos no Brasil. In: PONTO URBE, v. 23, p. 1-19, 2018. 

 

 

·         Sessão 2 – Tema: “Geração nas teorias sobre juventudes” (29/09/2020)

 

MANNHEIM, Karl. O problema da juventude na sociedade moderna. In: Org. BRITO de, Sulamita. Sociologia da juventude, 1: da Europa de Marx à América Latina de hoje. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1968.  

 

FEIXA, Carles e LECCARDI, Carmem. O conceito de geração nas teorias sobre juventude. In: Revista Sociedade e Estadovolume 25, número 2 Maio / Agosto, 2010.  



·         Sessão 3 – Tema: “Juventudes e precariedades” (27/10/2020)

 

MARCON, F. Juventudes, precariedades e estetização: mobilidades, formas de trabalho e estilos de vida. In: MARCON, F.; NORONHA, D. P. D. Juventudes & Movimentos. Aracaju: Criação, 2018. p. 335-353

STRECKER, T.; BALLESTÉ, E.; FEIXA, C. El juvenicídio moral en España: antecedentes del concepto causas y efectos. In: CABASÉS, M. À.; PARDELL, A.; FEIXA, C. Jóvenes, trabajo y futuro. Valencia: Tirant Lo Blanch, 2018. p. 430-460.

 

 

·         Sessão 4 – Tema: “Juventudes e Políticas” (24/11/2020)

 

GROPPO, L. A. Juventudes e políticas públicas: comentários sobre as concepções sociológicas de juventude. Desidades: Revista eletrônica de divulgação científica da infância e juventude, Rio de Janeiro, N. 14. ano 5. Mar. 2017. Disponivel em: <https://revistas.ufrj.br/index.php/desidades/article/view/9574>. Acesso em: 15 Jun 2018.

AUGUSTO, Nuno Miguel. A juventude e a(s) política(s): Desinstitucionalização e individualização. Revista Crítica de Ciências Sociais, 81, 2012, Disponível em: <http://journals.openedition.org/rccs/658>.

 

 

Roda de conversa

·         Em novembro (data a confirmar) – realização de uma roda de conversa sobre o tema “Juventudes em tempos de pandemia e o universo digital”.

 


segunda-feira, 7 de setembro de 2020

Roda de Conversa sobre Relações Étnico-Raciais e a Pandemia: Enfrentamentos e Desafios

 



O evento ‘Relações Étnico-Raciais e a Pandemia: Enfrentamentos e Desafios’ é uma iniciativa do grupo de trabalho Relações Étnico-Raciais, vinculado ao Grupo de Estudos Culturais, Identidades e Relações Interétnicas - GERTs, da Universidade Federal de Sergipe. Neste eixo, temos discutidos as muitas interfaces das Relações Étnico-Raciais, pensando suas relações com a educação, com o território, com a saúde e a cultura. Nas discussões mantidas pelo grupo, decidimos elaborar algumas atividades onde pudéssemos partilhar com um grupo maior de pessoas alguns pontos que tem se apresentado como pauta da agenda pública e social, tais como a Pandemia da Covid – 19 que alterou a vidas de todas as pessoas em suas diversas ordens e níveis. Estamos dispostos a debater, em formato de roda de conversa, como a Pandemia e os efeitos da Covid – 19 tem influenciado e interpelado as Relações Étnico-Raciais.

Datas: 10/09 e 24/09  (Quintas-feiras) - às 15h

Programação:

10/09 – Saúde Mental na Pandemia: Impactos na População Negra

Convidadas: Thais Cardoso Araujo; Jouse Mara Ferreira Santos

Mediação: Yérsia Souza de Assis

24/09 – Comunidades Indígenas e a Pandemia: enfrentamentos, desafios e perspectivas

Convidadas: Rosi Waikon; Joziléia Daniza Jagso Kaingang

Mediação:  Diogo Francisco Cruz Monteiro


Participantes

Thais Cardoso Araujo é Téc. De Enfermagem intensivista( adulto e neonatal) há  20 anos/ Psicóloga clinica e social há  4 anos, Psicóloga voluntária  no MOPS ( Movimento Popular de Saúde), e mestranda em Antropologia pela UFS  e membra do Grupo Escrevivência da UFS.

Jouse Mara Ferreira Santos é Psicóloga e Ìyálòrìsà. Graduada pela Faculdade Pio Décimo. Aracaju/SE. Graduada em Naturopatia pelo Centro de Estudios Técnico Profesional y Formación Universitária de Sevilla/Espanha. Graduanda em Formação Pedagógica. Pós-graduada em Biofeedback com especialização em Neuroelectrofisiologia e Bioressonância pela Universitatea de Medicina si Farmacie Victor Babes Din Timisoara. Especialista em Direitos Infanto-Juvenis no Ambiente Escolar (Escola que Protege) pela Universidade Federal de Sergipe (UFS/CESAD). Técnica no Centro de Aperfeiçoamento e Formação Continuada da Educação (CEAFE/SEMED).

Yérsia Souza de Assis é Graduada em Ciências Sociais Bacharelado pela Universidade Federal de Sergipe Mestre pelo Núcleo de Pesquisa e Pós Graduação em Antropologia Social pela Universidade Federal de Sergipe; Doutoranda em Antropologia Social pela Universidade Federal de Santa Catarina; Realizou Doutorado Sanduíche na Universidade Agostinho Neto em 2017 (CAPES/AULP). .Atuou como pesquisadora Voluntária no projeto de parceria INCRA e NEAB -Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros, de nome: "Reconhecimento e Mapeamento de Comunidades Negras Rurais em Sergipe". Atuou como pesquisadora voluntária no projeto "Territórios de Axé - Mapeamentos dos terreiros da Grande Florianópolis". Membro do GERTS - Grupo de Estudos Culturas Relações Inter-étnicas e Identidades/ UFS; Membro do NEABí/UFS - Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e Indígenas/UFS. Membro do NUER - Núcleo de Identidades e Relações Interétnicas/UFSC.

Rosi Waikon é Doutoranda em Antropologia Social na Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC Possui mestrado em Antropologia Social pela Universidade Federal do Amazonas (2013). Graduação em Licenciatura em Educação Infantil e Ensino Fundamental pela Universidade do Estado do Amazonas (2008), Graduação em Licenciatura em Ciências Biológicas pela Universidade Federal do Amazonas (2012) Tem experiência na área de Educação, atuando principalmente nos seguintes temas: conhecimento indígena, reconto, fortalecimento das organizações e gestão.

Joziléia Daniza Jagso Kaingang é Doutoranda em Antropologia Social - Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC. Mestra em Antropologia Social - Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC (2016). Coordenadora pedagógica da Licenciatura Intercultural Indígena - Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC (atual). Especialista em Educação de Jovens e Adultos Profissionalizantes - Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS (2012). Graduada em Geografia - Universidade Comunitária da Região de Chapecó - Unochapecó (2010). Experiência na área de Antropologia Social, com ênfase em interdisciplinar, nos temas: Mulheres indígenas, artes e língua indígena, saúde e sexualidade indígena e universidade

Diogo Francisco Cruz Monteiro é Doutorando em Antropologia pelo Programa de Pós-Graduação em Antropologia da Universidade Federal da Paraíba (PPGA-UFPB), possui graduação em História pela Universidade Federal de Sergipe (UFS) e em Pedagogia pelo Centro Universitário Braz Cubas; é mestre em Antropologia Social pelo Programa de Pós-Graduação em Antropologia (PPGA) da UFS. Atua com pesquisas nos seguintes temas: livro didático, ensino de História, imagens e representações sobre indígenas, Historia indígena e do indigenismo. Professor colaborador dos cursos de Licenciatura Plena em História e em Pedagogia do Instituto de Formação e Educação Teológica (IFETE), onde leciona as disciplinas Antropologia Cultural, Antropologia da Educação, Teorias da História e Prática Curricular em Ensino de História. Professor Adjunto da Faculdade Pio Décimo, onde leciona as disciplinas Sociedade e Desenvolvimento Rural e Fundamentos sócio-antropológicos aplicados ao Direito. Compõe o Banco de Avaliadores do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior - BASis INEP/MEC, avaliando a autorização de cursos de graduação. Sócio efetivo do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe. Diretor da Associação Nacional de História, seção Sergipe (ANPUH-SE), nas gestões 2015-2016/2016-2018. Membro do Grupo de Estudos Culturais, Identidades e Relações Interétnicas (GERTS-UFS), do Grupo de Trabalho Os Índios na História (ANPUH-BR) e do grupo de pesquisa LAPA - Laboratório de Antropologia, Política e Comunicação, da UFPB.


terça-feira, 4 de agosto de 2020

Rodas de Conversa: “Gênero e trabalho no contexto do isolamento - Problemáticas e Alternativas”



O evento ‘Gênero e trabalho no contexto do isolamento’ é uma iniciativa do GT Estudos de Gênero, vinculado ao Grupo de Estudos Culturais, Identidades e Relações Interétnicas - GERTs, da Universidade Federal de Sergipe. Este evento nasceu a partir de nossas próprias experiências vivenciadas com o início do isolamento causado pela pandemia do Covid-19, e se desenvolveu nos diálogos que traçamos em nossos encontros virtuais nos últimos meses. Ao mesmo tempo que busca somar-se aos esforços que estão sendo realizados em diferentes âmbitos sociais para visibilizar as dificuldades que envolvem esta relação entre gênero e trabalho no contexto da quarentena, também visa compartilhar e ampliar o laço de união entre as mulheres, abrindo espaço para diferentes realidades e atentas às interseccionalidades com marcadores sociais como raça, classe e sexualidade que vão se traduzir de formas distintas nas vidas práticas de cada mulher.


Datas: Terças (11, 18, 25 de agosto, 1 e 8 de setembro) 


Horário: 16h às 18h


Inscrições: https://bit.ly/inscricao_generoetrabalho


Apoio: Observatório da Democracia (UFS) e Grupo Estudos Decolonais (UNIT).


Para dúvidas, entre em contato através do e-mail: gtestudosdegenero@gmail.com


Programação:


11 de agosto - Roda de Conversa sobre Trabalho Docente
Mediadora: Lídia Matos
Participantes: Fernanda Xavier Maia, Mara Raissa Santos Silva e Freitas, Mayara Nascimento e Mayra Ébano


18 de agosto - Roda de Conversa sobre Maternidade
Mediadora: Danielle de Noronha

Participantes: Luciana Oliveira, Manoela Veloso e Mélanie Létocart


25 de agosto - Roda de Conversa sobre Raça e Comunidades Tradicionais

Mediadora: Ana Nobre
Participantes: Claudeane Bispo, Elienaide Flores, Geonísia Dias, Karine Santos e Yérsia de Assis


01 de setembro - Roda de Conversa sobre Trabalhadoras Domésticas
Mediadora: Maria Teresa
Participantes: Fernanda Amorim Accorsi, Quitéria Santos e Maria Vera de Almeida Nunes


08 de setembro - Roda de Conversa sobre Mulheres Trans

Mediadora: Ana Paula
Participantes: Adriana Lohanna, Jessica Taylor e Linda Brasil 


Sobre as participantes das rodas:


Roda de Conversa sobre Trabalho Docente Lídia Matos, mestra em Antropologia, professora de Sociologia, produtora de conteúdo digital. (@vidadeeducadora). Fernanda Xavier Maia possui licenciatura em Letras Português (Unimontes) e mestrado em Estudos Literários (PPGEL- Unimontes); Atualmente é professora de Língua Portuguesa na educação básica na zona rural de Diamantina- MG da rede pública; também desenvolve projetos com ilustração, cinema e literatura. Mayara Silva Nascimento, cientista social, mestra e doutora em Sociologia pela Universidade Federal de Sergipe. Socióloga pelo Ministério Público do Trabalho. Participante do Laboratório de Estudos do Poder e da Política - UFS. Docente no Centro Universitário UNIAGES. Mayra Ébano, professora de Filosofia, especialista em Didática e Metodologia do Ensino Superior e em Gestão Escolar e militante da Unegro Sergipe. Mara Raissa Santos Silva e Freitas possui graduação em Ciências Sociais (UFS) e mestrado em Sociologia (PPGS- UFS). Atualmente é professora na educação básica na rede privada de ensino. Faz parte do Grupo de Estudos Culturais, Identidades e Relações Interétnicas (GERTs/ UFS). Roda de Conversa sobre Maternidade Danielle de Noronha é mãe de Camilo, jornalista, antropóloga e professora do curso de Cinema e Audiovisual da Universidade Federal de Sergipe. É doutora em Mídia, Comunicação e Cultura e mestra em Antropologia. Entre seus temas de pesquisas estão cinema, imagem, gênero, feminismo e decolonialidade. Desenvolveu uma pesquisa sobre maternidades nas rodas de conversa do projeto Parir - Parto Domiciliar Planejado no Vale do Capão (BA). Luciana Oliveira é mãe e cineasta e acredita na construção de um mundo melhor através do cinema, construindo imagens que possa ser um espelho mais representativo para sua filha e os filhos dos outros no futuro. Ver o cinema de forma circular e coletiva, em que a escuta e o respeito é presente no diálogo entre diretores e demais funções da equipe, em que todos são autores alí trabalhando como em uma orquestra, regida por uma direção que nutre a escuta e a liderança. É mestra em Cinema e Narrativa Sociais pela Universidade Federal de Sergipe, pesquisa o Cinema Negro no Feminino e as políticas da coletividade nesses filmes. É co-idealizadora da EGBE - Mostra de Cinema Negro de Sergipe. Cineclubista no Cineclube Itinerante Candeeiro e sócia na Rolimã Filmes. Manoela Veloso se tornou mãe em 2016 e desde antes trabalha em diversas funções do audiovisual (direção, produção, edição), e mesmo em áreas diferentes, tais como cinema e publicidade. Hoje é sócia na produtora Rolimã Filmes e acredita em construção de um mundo novo com uma democratização dos meios de produção de imagens e significados. Com a maternidade redescobriu na pele as opressões sobre a mulher, e assume por ela e por Olga sua parte nesse processo de redesenhar o passado e o futuro através do presente. Mélanie Létocart, mãe de três filhos, professora da UFS, tem doutorado em Estudos literários (EZLN-Literatura indigenista mexicana) e é membro dos grupos de pesquisa: CELLAM (Universidade de Rennes 2) e Dinterlin (UFS). Temas atuais de pesquisa: literatura hispano-americana, feminismos, maternidades, Gioconda Belli. Roda de Conversa sobre Raça e Comunidades Tradicionais Erna Barros é doutora em Sociologia pela Universidade Federal de Sergipe (UFS), Mestre em Multimeios pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), e graduada em jornalismo pela Universidade Federal de Alagoas (UFAL). Faz parte do Grupo de Estudos Culturais, Identidades e Relações Interétnicas - GERTs (UFS).


Claudeane Bispo, quilombola do quilombo Brejão dos Negros/SE e sócia na associação Santa Cruz. Esta à caminho da formação em pedagogia. Integrante regional da Diocese de Propriá (Caritas). Catequista, militante, artesã, professora agricultora, agente de turismo de base comunitária, integrante do grupo de dança Batuqê Dance Aye e super dotada na culinária. Elienaide Flores é educadora popular, catadora de mangaba, militante e marisqueira desde sempre. Geonísia Dias é mulher, mãe, avó, marisqueira, do Movimento de Marisqueiras de Sergipe, conselheira do Peac e membra do Conselho Municipal de Saúde de Estância.


Karine Santos foi presidenta da Associação de Mulheres da comunidade por dois mandatos, fez parte do projeto GATI (Gestão Ambiental Territorial Indígena) e fez o curso da PNGATI o qual abriu sua a mente para o movimento indígena. Yérsia de Assis faz parte do Samba de Aboio/Aguada/Sergipe; Ekédjí no Ilê Axé Omin Mafé. Doutoranda em Antropologia pela UFSC/PPGAS/NUER. Participa da Rede Kadila - culturas e ambientes/Brasil e Angola; Integrante da Ong Casa de Mar/Sergipe e do Coletivo de Estudantes Negras e Negros Beatriz Nascimento/UFS. Vinculada ao NEABÍ/UFS; GERTS/UFS. Integra a Sociedade Omolaàiyé/Sergipe. Roda de Conversa sobre Trabalhadoras Domésticas Maria Teresa Ruas é mestra em Ciência Política pela Universidade de Brasília (UnB) e doutoranda pela Universidade Federal de Sergipe (UFS). Fernanda Amorim Accorsi é professora do Departamento de Educação (DEDI), do Campus Alberto Carvalho, da Universidade Federal de Sergipe (UFS). Coordenadora do Grupo de Pesquisas e Estudos em Práticas Educativas, Corpo e Ambiente (PEPECA). Doutora e mestra em Educação. Especialista em Comunicação e Educação. Jornalista e Pedagoga. Quitéria Santos, vice-presidenta do Sindicato das Trabalhadoras e Trabalhadores Domésticos do Estado de Sergipe, faz parte da direção da Federação Nacional das Trabalhadoras Domésticas e da direção da Cut, militante da Marcha Mundial das Mulheres e do PT. Maria Vera de Almeida Nunes, conhecida como Dona Vera, é trabalhadora doméstica. Roda de Conversa sobre Mulheres Trans Ana Paula O. Barros é professora de Artes da rede estadual de Sergipe, mestre em Antropologia e doutoranda em Comunicação pela Universidade Federal Fluminense. Entre seus temas de pesquisa estão, corpo, imagem, sexualidade e gênero. Adriana Lohanna dos Santos é ativista LGBTQI+, mestra em Educação (PPGED/UFS), professora licenciada em Letras e assistente social. Referência Técnica em Políticas Públicas para população LGBTQI+ - SEAS /SE. Pesquisadora na Área de Gênero e Diversidade Sexual, especialista em Coordenação Pedagógica e especialista em Gênero e Sexualidade na Educação. É pesquisadora do Grupo de Pesquisa Educação, Cultura e Subjetividades - GPECS - UFS. Jessica Taylor é presidenta da UNIDAS e pós-graduando em gênero e sexualidade na educação pela UFBA. Linda Brasil, mestra em educação e militante feminista, LGBTQIA+ e transfeminista.


Enquanto a Pandemia Rola: "Gênero, pandemia e o impacto cotidiano sobre as mulheres"



Na próxima sexta, dia 7 de agosto, das 15h às 17h, o Observatório da Democracia da UFS, em parceria com o Grupo de Estudos Culturais, Identidades e Relações Interéticas (GERTs/UFS) e com o Grupo de Estudos Decoloniais (UNIT), realiza mais uma edição do evento online Enquanto a Pandemia Rola, com o tema “Gênero, pandemia e o impacto cotidiano sobre as mulheres”.

A mesa contará com a participação das professoras Dra. Yara Frateschi (IFCH/Unicamp) e Dra. Patrícia Rosalba (PPGA/UFS), da psicóloga e pesquisadora Taynã Querino e mediação da professora Dra. Danielle Parfentieff de Noronha (DCOS/UFS).

As inscrições podem ser realizadas via Sigaa/UFS

terça-feira, 30 de junho de 2020

Enquanto a Pandemia Rola

Enquanto a Pandemia Rola é uma atividade semanal do Observatório da Democracia - UFS. Ouça a sessão: Impactos nas Comunidades Tradicionais Quilombolas, gravada em 26/06/2020, com Dany Xocó, João Victor Pankararu, Wellington Quilombola e Wellington Bomfim.


Para Acesso no Youtube



sábado, 18 de abril de 2020

Cientistas Sociais e o Corona Vírus


A ANPOCS - Associação Nacional de Pós-Graduação em Ciências Sociais está publicando semanalmente boletins sobre o tema do COVID19 sob o olhar dos Cientistas Sociais. Acompanhem:
http://www.anpocs.com/index.php/ciencias-sociais/destaques/2325-boletim-semanal

sábado, 4 de abril de 2020

O conceito de gênero e seu uso prático em pesquisas nas Ciências Sociais


Foto: Erna Barros

GT Estudos de Gênero 
Ana Paula O. Barros (PPGCOM/UFF)
Danielle Parfentieff de Noronha (DCOS/UFS)
Élida Braga (PPGS/UFS)
Erna Barros (PPGS/UFS)
Lídia Matos (SEC/BA)
Mariana Rocha (GERTS/UFS)
Raissa Freitas (GERTS/UFS)
Renata Maria Santos Lima (DED/UFS)
Maria Teresa Ruas (PPGS/UFS)


Com o objetivo de refletir sobre o que é ser mulher e quais são as possíveis causas das opressões que são vivenciadas pelas mulheres, Simone de Beauvoir, em 1949, publica o clássico O Segundo Sexo e a ideia de que “não se nasce mulher, torna-se mulher”. O livro é um marco importante para o feminismo ocidental e abriu portas para estudos posteriores que irão culminar no conceito e interpretações sobre o gênero. Ao analisarmos o contexto em que ele foi produzido, quando poucas mulheres tinham espaço na filosofia, o livro de Beauvoir se torna ainda mais relevante. Entretanto, ele é apenas o início. 

O livro está localizado geográfica e socialmente num contexto específico e foi necessário ampliar a visão sobre o que é ser mulher e colocar a questão no plural, olhando para a diversidade e especificidades que são vivenciadas nas mais distintas realidades. Como exemplo, podemos citar o livro Mulheres, Raça e Classe, publicado em 1981 por Angela Davis, que visibiliza as singularidades que são causadas pela intersecção com raça e classe social. Além disso, com o passar do tempo, a ideia de que se ‘torna mulher’ se amplia ainda mais: o gênero se distancia do sexo biológico e começa a ser compreendido como construção social (Scott, 1990), que está vinculado a discursos, culturas, processos identitários e vivências particulares, tanto no sentido individual quanto coletivamente.

Nesse sentido, pesquisadoras brasileiras começaram na década de 1980 a refletir sobre essa especificidade também regional, buscando compreender mais a realidade das mulheres brasileiras e seus diferentes marcadores sociais (Cadwell, 2000), como, por exemplo, Lelia Gonzalez, além de também, principalmente nos últimos 10 anos, começarmos a considerar outras epistemologias possíveis para os estudos de gênero, como aquelas que pensam outras formas de saber através da decolonialidade do poder, do conhecimento, do ser (Machado et. al, 2018) e do próprio gênero (Lugones, 2008).

A compreensão do gênero como construção social ainda abre espaço para pesquisas que pensem os gêneros, também no plural, e comecem a discutir temas relacionados à identidade de gênero e à sexualidade (Grossi, 1998). Desde as ciências sociais, o olhar para os distintos grupos a partir dos estudos de gênero possibilitaram que muitas pesquisas pudessem refletir sobre as relações de poder e como são construídos culturalmente os diversos papéis sociais, como no caso dos temas relacionados às juventudes (Weller, 2005), principalmente a partir dos anos 2000.

Ademais, vale ressaltar que, dos termos cultura e identidade surgem discussões sobre diferença e diversidade, os quais suscitam as intersecções de raça, gênero e classe. Para tanto, percebe-se modos diferenciados de pensar na produção da diferença e da desigualdade em experiências cotidianas que, de modo articulado, evocam outros elementos que nos ajudam a compreender as violências em termos de gênero, raça e classe, os quais se constituem em marcadores sociais da diferença, vistos de maneiras interseccionadas (Brah, 2006).

O gênero em nossas pesquisas

Este texto foi desenvolvido a partir das leituras que realizamos no primeiro momento do GT Estudos de Gênero, vinculado ao GERTs, e neste tópico vamos apresentar como cada participante do grupo traz a questão de gênero para suas pesquisas, apresentando na prática as possibilidades de diálogo com este conceito nas ciências sociais. 

No bojo dos estudos de juventudes, a crítica perpassa pela ausência de pesquisas que focalizam o papel que os grupos juvenis assumem na construção das identidades femininas, ou seja, para além de questões relativas à sexualidade e a maternidade (Weller, 2005). Nesse sentido, uma pesquisa recente , intitulada “Jovens mulheres, hip hop, estilos de vida e  feminismo”, desenvolvida por Raissa Freitas, consiste em analisar os significados da participação de mulheres ligadas ao Hip-Hop na região metropolitana de Aracaju/SE. Considerado como movimento juvenil contemporâneo e de grande visibilidade, o Hip-Hop conta com um público majoritariamente masculino. No entanto, observa-se um crescimento significativo de mulheres em suas expressões artísticas seja no rap, no grafite, seja no break. Desta forma, foi possível pensar a participação feminina nessa cultura a partir das identificações, dos discursos e das práticas que se constroem nesse contexto, mas também compreender como se dão atualmente as relações de gênero e as sociabilidades estabelecidas nas práticas culturais que envolvem esse universo.

Já a pesquisa intitulada “Uma Cidade muda não muda: graffiti e mulheres no espaço público”, realizada por Erna Barros na cidade de Aracaju-SE, propõe uma leitura do graffiti enquanto fenômeno urbano em diálogo com a estrutura da cidade como espaço de disputas a partir de uma perspectiva de gênero. A autora buscou contribuir para uma discussão sobre o transitar das mulheres pelo ambiente público “por sobre os ombros” de grafiteiras que ressignificam estes espaços, apoiadas na representação de entendimentos sobre uma cidade pensada e planejada segundo uma ideia de universalidade do humano, ou seja, uma perspectiva hegemônica do masculino em detrimento do feminino. A identificação de uma “hostilidade à presença das mulheres” no espaço público se dá a partir do acompanhamento de grafiteiras utilizando o registro fotográfico e fílmico como dispositivo de pensamento e da observação dos usos cotidianos e discursos da, para e através da cidade junto à prática do graffiti como ferramentas de representação, contestação e expressão. Sob um olhar de gênero, a hostilidade da cidade se apresenta em decorrência das relações sociais e desiguais de poder entre homens e mulheres, que irão aparecer no dia a dia na forma com que ambos ocupam e vivenciam suas experiências nas cidades. 

Neste sentido, partindo do pressuposto que homens e mulheres possuem necessidades diferentes no espaço urbano e suportam as ocorrências neste ambiente também de maneiras distintas, a pesquisa intitulada “O corpo feminino no espaço urbano: desigualdades e resistências de uma vivência”, realizada por Mariana Rocha, propõe uma análise sobre o corpo feminino que, como sujeito, ocupa os espaços públicos, mas também busca conquistar lugar de fala na cidade. A autora buscou expandir a temática da experiência urbana, levando em conta a diversidade de condições humanas presentes no espaço público, como em todos os espaços da vida em sociedade. Neste intuito, a pesquisa foi realizada através de uma ponte construída com a disciplina Cultura, Paisagem e Cidade, do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Tiradentes, que propõe uma aproximação sensível com a cidade, através de errâncias exploratórias, junto com uma abordagem interdisciplinar em estudos da paisagem. Nesta exposição, acaba-se por provocar a vivência das relações sociais estabelecidas no espaço urbano, onde foi possível identificar a fragilidade existente na ocupação feminina do espaço público, que historicamente são produzidos no modelo patriarcal.  Assim, a luz dos estudos de gênero e estudos da paisagem, investiga-se quais elementos definem e condicionam a vivência feminina na cidade. 

Ainda sobre o corpo, mas a partir do diálogo com as artes e com a comunicação, a pesquisa intitulada “Reinvenções do feminino, corpos e sexualidades: Um mapeamento das artes gráficas contemporâneas produzidas por mulheres”, realizada por Ana Paula Oliveira Barros, entende as artes gráficas como um espaço de comunicação, sendo também uma importante referência para a construção da imagem feminina. Nas sociedades ocidentais, tanto o corpo de um modo geral como a sexualidade feminina em particular, foram durante muito tempo representados de modos idealizados por homens e para homens, de acordo com um conjunto específico de discursos acerca do que significa ser mulher. É possível apontar esses discursos como predominantemente patriarcais, que têm inundado a sociedade ocidental com visualidades heteronormativas e racistas, sempre colocando o corpo da mulher numa situação de objeto de desejo a ser observado e utilizado pelos homens. Considerando a riqueza desse objeto, a pesquisa se propõe a fazer uma análise genealógica de certas transformações históricas que afetaram tais representações ao longo dos últimos dois séculos. O objetivo final consiste em investigar de que maneira, nas últimas décadas, algumas artistas gráficas têm abordado o erotismo em suas obras, construindo assim as suas próprias subjetividades ao adotar diferentes estratégias de combate aos discursos hegemônicos em torno à feminidade. Nesse processo, estão acontecendo importantes reinvenções dos sentidos atribuídos aos corpos e às sexualidades associadas ao feminino. 

Já com as reflexões produzidas dentro do feminismo negro, acompanhamos um crescente números de estudos como o de Lélia Gonzalez (1988) que vai analisar como esse corpo feminino e negro é percebido. Ela destaca a estigmatização desses corpos, ora como mulata, ora como um corpo servil. Este é um esforço de produção de conhecimento acerca das mulheres negras da perspectiva das próprias sujeitas. A pesquisa desenvolvida por Lídia Matos segue essa linha no esforço em compreender como são produzidos conteúdos sobre os cabelos crespos e cacheados, oportunizados pelo movimento de transição capilar, em que analisa produtoras de conteúdo que postam vídeos em canais no YouTube e elaboram um conhecimento específico sobre os cabelos e seus cuidados, mas não apenas isto, refletem a partir desse referencial estético sobre a construção das identidades em torno das questões raciais e os desafios dentro do contexto brasileiro.

Também através dessa relação com a comunicação e a arte, Danielle de Noronha, na tese “Representacionesde la diferencia:Género, raza y trabajo en la prensa hegemónica brasileñabuscou entender como as representações relacionadas à gênero, em intersecção com raça e trabalho, veiculadas no jornalismo hegemônico brasileiro atuam para a manutenção de relações de poder. O jornalismo, que possibilita pensar sobre a coexistência entre discurso e realidade, é entendido como um importante mecanismo de formação de opiniões sobre o mundo que nos rodeia. Deste modo, a pesquisa parte do pressuposto que a imprensa exerce grande influência nos processos identitários, atua na (re)formulação de tradições, memórias e estereótipos sociais, além de ser um dos principais meios em que se (re)produz o padrão colonial do poder, do saber e do ser, que influencia tanto o imaginário como a vida prática social. Danielle atualmente também desenvolve uma pesquisa sobre a relação entre gênero e cinematografia, pensando na relação entre aquelas e aqueles que estão atrás das câmeras com as representações relacionadas à gênero no audiovisual brasileiro, e sobre os discursos relacionados ao parto, ser mulher e ser mãe nas rodas do projeto Parir- Parto Domiciliar Planejado do Vale do Capão (BA).

Interessada na questão do trabalho e suas transformações no bojo da ascensão neoliberal e da financeirização capitalista, Maria Teresa Ruas se deparou com a necessidade de um olhar interseccional sobre a realidade. Atenta ao ganho de força do debate sobre a desdemocratização brasileira em sua área de origem, a ciência política, em meio às tentativas de analisar os retrocessos democráticos que se aceleram no país nos últimos anos, a pesquisadora se propôs a identificar os impactos desses retrocessos sobre a superexploração do trabalho, base estrutural da acumulação no capitalismo periférico. Nessa trajetória, o tratamento dos trabalhadores em seu plural masculino e homogeneizador mostrou-se não só insuficiente à proposta de análise, como simplesmente irreal. A realidade do trabalho é concretamente composta por inúmeras transversais, entre as quais o gênero ganha protagonismo, mas não basta: e daí resulta a necessidade do olhar interseccional. Consciente de que tanto o enfoque que se pretende adotar na pesquisa, quanto a realidade localizada histórica, espacial e contextualmente se impõem na determinação de quais categorias de análise, dentre as inúmeras possíveis na análise interseccional, Maria Teresa passa a direcionar seu olhar para as trabalhadoras rurais. 

Elida Braga, em sua pesquisa de doutorado, nos leva a compreender os sentidos construídos sobre as adolescentes em conflito com a lei que cumprem medidas  socioeducativas por atos infracionais, na Unidade Feminina de Aracaju – UNIFEM, bem como aqueles produzidos a partir do Estado e dos envolvidos no sistema socioeducativo sob perspectiva de gênero. Com isso, aparece o modo pelo qual o Estado produz sentido sobre o que é ser mulher e como se aplica determinadas formas de intervenção sobre as adolescentes, além do desafio de trabalhar temáticas incomuns de modo sobreposto, a saber a adolescência e o gênero no contexto institucional estatal. Ademais, buscou-se nas adolescentes as percepções dos processos nos quais se constroem na condição de internas, como elas se percebem no processo e constroem a si neste contexto. 

Por último, sabendo que a educação é transformadora e que somente através dela podemos nos libertar das amarras da desigualdade, a pesquisa de Renata Maria pretende abordar a importância do acesso à educação para todos, todas e todes, sem distinção, para que assim então, ela cumpra seu papel. Para que uma educação seja transformadora é necessário incluí-la na sociedade de acordo com as realidades de cada grupo, a aula que será ministrada em uma escola pública de um bairro periférico, não vai ser a mesma aula dada em uma escola particular de um bairro burguês, a educação liberta quando se encaixa e colabora com o desprender das correntes que cada indivíduo possui. Partindo desse pressuposto, a autora fará uma pesquisa de campo em diferentes escolas, de diferentes regiões, detalhando a importância da educação naquele espaço e expondo as diferentes desigualdades presentes em cada uma. A luz de autores como Paulo Freire, Djamila Ribeiro, José Carlos Líbaneo, Angela Davis, dentre outros, a pesquisa trará as diferentes desigualdades presentes na sociedade, seja de gênero, seja de raça, seja de classe, e a importância da educação na transformação.

Com estes exemplos, esperamos visibilizar diversos trabalhos que estão contribuindo para o desenvolvimento das pesquisas relacionadas à gênero no âmbito das ciências sociais a partir de distintas realidades brasileiras, no geral, e principalmente sergipanas, no específico. 

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