sexta-feira, 30 de setembro de 2022

SEMINÁRIO INTERNACIONAL JUVENTUDE(S) E CIDADANIA

Este primeiro Seminário Internacional Juventude(s) e Cidadania promovido no âmbito da interlocução entre pesquisadores e estudantes de pós-graduação do CICS.NOVA, de Lisboa, e do GERTs/UFS, de Aracaju/SE,  será realizado de forma remota (on-line) nos dia 08/11/22 – 06/12/22 – 31/01/23 (10h BR e 13h PT) e contará com três sessões atravessando os seguintes temas: Culturas Juvenis em tempos digitais; Juventudes, cidades e poder; e Juventudes, Políticas Públicas e Sistemas de Justiça. Logo traremos maiores informações sobre as participações e como assistir ao seminário.

Inscrições abertas: 

https://www.sigaa.ufs.br/sigaa/public/extensao/paginaListaPeriodosInscricoesAtividadesPublico.jsf

Coordenadores:  

Frank Marcon (GERTs/UFS) e 

Ricardo Campos (CICS.NOVA, NOVA FCSH)  





08/11/2022 - Sessão I  

 

CULTURAS JUVENIS EM TEMPOS DIGITAIS  

 

Debatedores  

José Alberto Simões

Ricardo Campos  


Link Público: https://youtu.be/Lw_cZ7doS3g 

 

 Jovens (e) programadores(as): codando novos horizontes?   


Gabriela Losekan - Doutoranda em Sociologia PPGS/UFS  

 

Considerando a internet como cultura e artefato cultural e que os seus dispositivos tecnológicos são criados por pessoas, em contextos determinados e a partir de recursos específicos, propõe-se algumas reflexões sobre juventudes, trabalho e culturas digitais a partir das interações entre jovens programadores(as), observadas durante a Conferência Python Brasil 2021, um evento organizado anualmente por voluntários da comunidade da linguagem de programação Python no Brasil.  


O meu, o seu e o nosso feminismo: uma reflexão sobre o compartilhamento de experiências em canais feministas de YouTube  

 

Juliana Rodrigues - Doutoranda em Sociologia CICS.NOVA – Lisboa  

 

Na rede, os diversos feminismos assumem diferentes roupagens e apelos de acordo com o emissor da mensagem e do ambiente de mobilização. A presente comunicação propõe uma reflexão sobre as comunidades formadas nos canais de youtubers feministas brasileiras.  


Cultura juvenil, carreira musical e precariedades: o samba como um estilo de vida intergeracional  

 

Mateus Antonio de Almeida Neto - Doutorando em Sociologia PPGS/PPGS  

 

Este trabalho tem como objetivo fomentar o debate sobre experiências musicais ligadas ao samba como um estilo de vida intergeracional vivenciado por atores sociais que se consideram jovens e periféricos, e que buscam por meio do estilo uma carreira alternativa com potencialidade de empregabilidade e autonomia a contrapelo das relações de precariedades.  

 

 

06/12/2022 - Sessão II  

 

JUVENTUDES, CIDADES E PODER  

 

Debatedores  

Frank Marcon

Otávio Raposo  

 

Acesse: https://www.youtube.com/live/cBoKclzd1PU?feature=share

 

Juventudes, Musicalidades e Sociabilidades nos Paredões de Pagode da Bahia  

 

Saionara S. Andrade dos Passos - Doutoranda em Sociologia PPGS/UFS  

 

Música e Sociabilidades em territórios marcados pela precarização e pela violência. Reflexões sobre a problemática dos estilos de vida, das práticas e das representações juvenis na atual cena cultural do Recôncavo baiano, a luz da Sociologia das Juventudes.  

 

Es Ca Ta Cre: fabulações afrofuturistas do rap kriolu cantado por mulheres das periferias de Lisboa  

 

Gabriela Leal - Doutoranda em Estudos Urbanos. CICS/NOVA - Lisboa  

 

Percorrerei o percurso teórico-metodológico de minha pesquisa de doutoramento, onde investigo a dimensão epistemológica da vida urbana junto com rappers mulheres nas periferias de São Paulo e na Área Metropolitana de Lisboa (AML). Irei me deter no segundo contexto para apresentar resultados preliminares que traçam contornos das dimensões criativas e epistemológicas do rap kriolu cantado por mulheres. As narrativas e saberes produzidos por esta prática - simultaneamente urbana e estética - estão imbricados em experiências afro-diaspóricas múltiplas e fundam espaços transnacionais que fornecem ferramentas simbólicas, emocionais e sociais para suas protagonistas (re)criarem e (re)imaginarem a experiência urbana nas periferias da AML.  

 

Juventude Evangélica, Política e Território Periférico  

 

Florival José de Souza Filho - Doutorando em Sociologia PPGS/UFS  

 

Análise do processo de aproximação e inserção dos jovens moradores de periferia ao universo religioso cristão-evangélico, situando o território do bairro "Santa Maria", como lócus central da pesquisa em andamento. Nesse sentido, busco apresentar as interfaces que conduzem os/as jovens dessa periferia a tornarem-se membros ativos das Igrejas desse bairro e, assim, participando dos eventos, cultos e demais ações institucionais religiosas, formarem suas concepções políticas.  

 

31/01/2023 - Sessão III

 

JUVENTUDES, POLÍTICAS PÚBLICAS E SISTEMAS DE JUSTIÇA  

 

Debatedoras  

Maria João Leote de Carvalho  

Élida Braga


“JUVENTUDE VIVA?” A juventude negra brasileira entre o genocídio e o encarceramento em massa  

 

Lucas Vieira Santos Silva - Doutorando em Sociologia PPGS/UFS.  

 

Objetivo é de demostrar como se constituiu historicamente o sistema de justiça aplicado à juventude no Brasil, demonstrando como o racismo foi um elemento importante na constituição desse sistema e, consequentemente, no modo desigual de aplicação da punição para às juventudes de nosso país. Por fim, faço uma breve análise das políticas públicas aplicada a juventude durante o período do governo petista e o impacto de tais política na dinâmica dessa relação.  

 

Jovens, estrutura das oportunidades e equívocos conceptuais na construção de políticas públicas para o segmento juvenil em Cabo Verde  

 

Redy Wilson Andrade Duarte Lima - Instituto Superior de Ciências Jurídicas e Sociais, Cabo Verde e CICS.NOVA.FCSH, Doutorando em Estudos Urbanos  

 

Entre os anos de 2007 e 2018, 56,1% dos crimes participados à polícia tinham como autores jovens dos 16 aos 30 anos e a idade média da população carcerária em 2018 era de 32 anos. Estes números suportam o discurso institucional e de vários quadrantes da sociedade civil que toma os jovens como um problema social e por isso, alvo de um conjunto de medidas políticas com vista à sua domesticação. Esta comunicação tem como objetivo discutir os mecanismos de mobilização e adesão dos jovens nos gangues de rua e do narcotráfico, bem como apontar os equívocos conceptuais na construção das políticas públicas no setor da juventude e da segurança pública.  


One size does (not) fit all: a importância de uma intervenção responsiva ao género no sistema de justiça (juvenil)

Vera Duarte – Investigadora do CICS.NOVA – Pólo de Braga e Professora Auxiliar na Universidade da Maia - ISMAI

As discussões em torno da importância de uma intervenção responsiva ao género no sistema de justiça juvenil português, ainda que não sejam propriamente novas, são recentes e ainda com pouca expressão na investigação, na política e na intervenção, ao contrário do que acontece no contexto internacional, onde este diálogo tem sido feito a par de uma investigação que tem procurado demonstrar as idiossincrasias femininas nas expressões da transgressão. O objetivo desta comunicação é, neste sentido, refletir, a partir dos resultados de um projeto de investigação desenvolvido em parceria com a Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais, a importância de uma intervenção responsiva ao género no sistema de justiça (juvenil), problematizando a falta de consenso na resposta à questão: será que as diferenças de género justificam a utilização de avaliações de risco, instrumentos e intervenções diferenciadas?


Sistema de justiça e políticas públicas:  uma leitura a partir da criminologia crítica brasileira  

 

João Víctor Pinto Santana - Doutorando em Sociologia PPGS/UFS  

 

Atualmente, há uma crescente demanda pelo aumento do poder punitivo do Estado e este clamor social acaba atingindo significativa parcela da(s) juventude(s). Na América Latina tal cenário não é diferente. Partindo da realidade social brasileira, se faz necessário realizar um debate sobre o sistema de justiça, especialmente em relação às políticas públicas antipunitivistas (como é o caso da justiça restaurativa). Nesta perspectiva, o nosso ponto de partida é a compreensão da criminologia crítica como uma importante ferramenta de resistência ao punitivismo, através de uma leitura articulada entre projeções político-criminais e os anseios sociais dos movimentos de proteção de direitos humanos.   


 Painel em frente ao Centro de Juventude Carabanchel - Madrid. Fotografia de Frank Marcon (2022)




Mesa Redonda Juventudes, Ativismos e Estetização




 

GT sobre Culturas Juvenis

 


Grupo de Trabalho sobre Processos de Identificação e Desigualdade nas Relações Étnico-raciais, Intergeracionais e de Gênero

 


Políticas Públicas e Juventude: Desafios Contemporâneos e Perspectivas



 

segunda-feira, 16 de maio de 2022

Uma Cidade Muda Não Muda: Mulheres, Graffitis e Espaços Urbanos Hostis

É o título da Tese de Doutorado em Sociologia de Erna Barros, que acaba de virar livro. Orientada pelo prof. Frank Marcon e defendida no Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Federal de Sergipe (UFS) em 2020, o trabalho foi indicado como melhor Tese de Doutorado do PPGS no ano de 2020. 

O livro, "propõe uma leitura do graffiti enquanto fenômeno urbano em diálogo com a estrutura da cidade como espaço de disputas a partir de uma perspectiva de gênero. Busca contribuir para uma discussão sobre o transitar das mulheres pelo ambiente público “por sobre os ombros” de grafiteiras que ressignificam esses espaços, apoiadas na representação de entendimentos sobre uma cidade pensada e planejada segundo uma ideia de universalidade do humano, ou seja, uma perspectiva hegemônica do masculino em detrimento do feminino. Assim, o objetivo principal deste livro é a identificação dos espaços hostis à presença das mulheres no espaço público da cidade e a reflexão acerca da resistência das grafiteiras a esses espaços a partir da reivindicação de uma agência na cidade. Para isso, a metodologia utilizada foi a observação dos usos cotidianos e discursos de grafiteiras na Grande Aracaju-SE, por meio do registro fotográfico e fílmico de suas intervenções no ambiente urbano, percorrendo diferentes trajetos junto a elas, e também sozinha, a fim de compreender a prática do graffiti como ferramenta de representação, contestação e expressão feminina. Deparei-me durante esses trajetos com uma estrutura urbana que atende por uma lógica masculina de planejamento não sensível ao gênero, que impõe às mulheres um transitar cheio de limitações, que apresento neste livro por meio de Pranchas Fotográficas, dispostas em montagens das imagens colhidas em campo. A pesquisa teve como resultado a compreensão de que as grafiteiras ressignificam e transgridem diferentes espaços hostis às mulheres, guiadas por sentimentos de resistência e sororidade, por meio da reivindicação de uma agência estetizada e de dinâmicas particulares de diálogo e atuação na cidade". (Erna Barros) 

O livro está disponível gratuitamente pelo link https://editoracriacao.com.br/uma-cidade-muda-nao-muda-mulheres-graffitis-e-espacos-urbanos-hostis/




quinta-feira, 12 de maio de 2022

Juventude e Sociedade

NOVAES, Regina. Juventude e sociedade: jogos de espelhos, sentimentos, percepções e demandas por direitos e políticas públicas. Sociologia Especial: ciência e vida, v. 1, n. 2, p. 6-15, 2007.

Resenha

Por Raiane Santos

A autora do texto em questão, Regina Célia Reyes Novaes é uma antropóloga que tem dedicado seus estudos no campo das juventudes desde seu processo de formação. Regina contribui para o campo dos estudos sobre juventude a partir de múltiplas perspectivas, sobretudo sobre as políticas públicas para juventude em âmbito nacional.

O texto Juventude e sociedade: jogos de espelhos, sentimentos, percepções e demandas por direitos e políticas públicas, publicado em 2007, traz como ponto de partida a junção de eixos como o processo de globalização e o desenvolvimento de políticas públicas para a juventude a partir do âmago da sociedade contemporânea.

Ainda que a categoria juventude não seja mencionada de forma plural, ao menos no que diz respeito especificamente a este texto, a autora ressalta a importância de reconhecer a universalidade por trás de tal categoria, pontuando que que existem diversos contextos históricos a serem considerados. Neste sentido, Novaes pontua que “ser jovem é viver uma contraditória convivência entre a subordinação à família e à sociedade e ao mesmo tempo, grandes expectativas de emancipação.” (p.1).

O conceito de moratória social é mencionado no texto quando a autora associa a perspectiva das juventudes às diversas condições atribuídas como "pré-requisito" para a experiência juvenil. Tais atribuições podem ser postergadas dependendo da condição e posição socioeconômica dos jovens, pois, “em uma sociedade marcada por grandes distâncias sociais, são desiguais e diferentes as possibilidades de se viver a juventude como “moratória social”, tempo de preparação.” (p.1).

A importância de não universalizar a categoria juventude dentro dos debates sociológicos vincula-se à necessidade de acessar realidades que atravessam a dimensão da faixa-etária. Para a antropóloga, a pergunta “onde você mora?” pode desencadear respostas fundamentais para a restrição e exclusão de jovens específicos. A autora chama este processo de “discriminação por endereço”, afetando principalmente o acesso aos âmbitos educacionais, campo de trabalho e espaços de lazer.

As categorias políticas públicas e juventude estão nitidamente conectados no texto, contudo, é importante mencionar que a autora parte, também, do pressuposto geracional para chegar até os quadros que atingem as juventudes a partir da globalização. Menciona-se que, “para além do aspecto biológico, e apesar dos abismos sociais existentes, ser jovem em um mesmo tempo histórico é viver uma experiência geracional comum.” (p.2). 



Cloud Gate - Millennium Park -  Chicago - Fotografia de Frank Marcon - 2019

É importante notar que a autora faz um comparativo a partir do campo geracional, situando a similaridade de jovens que vivem em um mesmo tempo social” para acessar as condições no campo do econômico, assim, pontua: Os jovens do século XXI, que vivem em um mundo que conjuga um acelerado processo de globalização e múltiplas desigualdades sociais, compartilham uma experiência geracional historicamente inédita. Para além das evidentes distâncias sociais que os separam, os jovens de hoje vivem em um momento no qual a tensão local-global se manifesta no mundo de maneira contundente. Nunca houve tanta integração globalizada e ao mesmo tempo, nunca foram tão agudos os processos de exclusão e profundos os sentimentos de desconexão. (2007, p.2) 

Dentro da concepção moderna de juventude, a entrada no âmbito escolar era considerada inerente dentro do processo de transição para a maturidade, contudo, atualmente nota-se que ocorre o inverso e tal fato retrata-se a partir do momento em que ““estar na escola” passou a definir a condição juvenil”. (p.3). Ainda que a “moratória social” seja experienciada por jovens de classes sociais específicas, pensar a relação entre juventude e trabalho é compartilhar antes de tudo a condição geracional, a relação do estar num mesmo tempo social. Isso porque, jovens de diversas classes sociais demonstram medo e insegurança com relação ao campo de trabalho em consequência do processo de globalização. Este sentimento conecta os jovens através da “consciência de que sua geração está submetida às rápidas
transformações tecnológicas no mundo do trabalho.” (p.3). 

Diversos autores discutem a relação entre juventude e trabalho numa perspectiva de realização humana. A antropóloga Regina Novaes aponta críticas a este cenário pelo fato de que o senso comum ainda associa o sentimento de realização plena a partir da inserção no mercado de trabalho. É um fato que a condição de trabalho gera possibilidades de emancipação, porém, as condições em que os jovens são inseridos com o discurso de estabilidade e conquista de emancipação financeira precisam ser discutidas a partir de realidades plurais. Embora a questão geracional seja pontuada a partir da ótica da globalização, em que os jovens estão adquirindo experiências similares no quesito tempo social, os abismos sociais são mencionados frequentemente no texto. “De certa forma, ser jovem é ser suspeito”, Novaes pondera sobre a realidade protagonizada pelos jovens na contemporaneidade, todavia, o ser suspeito é estigmatizado por fatores como raça, classe e gênero. Todas estas condições estão presentes na sociedade no geral, entretanto, tais vertentes são evidenciadas diante do alto índice de violência urbana.

O “medo de sobrar", como a autora menciona, permeia principalmente os espaços em que as vulnerabilidades são ainda mais expostas. Concomitante a isto, a autora pondera que, [...] para se contrapor ao precoce “medo de morrer” de maneira violenta que tem lugar entre os jovens de hoje, políticas públicas devem se desenvolver com o objetivo de assegurar-lhes o direito à vida segura. Para tanto, não deve haver uma hierarquização e/ou uma cisão entre políticas de inclusão social e políticas específicas de enfrentamento e prevenção à violência. Isto porque há uma interdependência entre os processos de exclusão social que atingem diferentes segmentos juvenis e os mecanismos sociais detonadores de atos e atitudes de violência física e simbólica. (2007, p.6)

Para adentrar na discussão entre jovens como sujeitos de direitos, a autora menciona que a partir de um processo de criação de direitos, outros direitos são condicionados gerando uma dinâmica em que a consolidação de uma necessidade/direito abre espaço para outros. Três tipos de gerações são mencionados para demonstrar que a consolidação de direitos, bem como a luta por estes precisam ser constantes, pois um processo leva ao outro. A primeira geração foi marcada pela consagração dos direitos civis e políticos, a segunda tem a marca dos grupos sociais que acentuou a emergência de novos direitos, e a terceira geração, sendo interconectada às demais, carrega a consagração dos direitos difusos. De acordo com Novaes, esta terceira geração “teve amplas consequências sociais.” (p.8).

Para atravessar o debate sobre políticas na era contemporânea, a antropóloga ressalta que na modernidade a busca por direitos ocorria de maneira individual, enquanto na perspectiva contemporânea, temos a predominância do “reconhecimento e valorização das diferenças e das identidades coletivas''. (p.8). A concepção de direitos difusos a qual a autora pontua como terceira geração remete a teoria do reconhecimento, sobretudo por entender que “os direitos da juventude podem ser vistos como uma nova intersecção entre direitos de cidadania (civis, sociais e difusos)” (p.8), podendo, assim, ser visualizada com eixos que se conecta em prol de uma política de redistribuição.

Tanto para o reconhecimento quanto para fortalecer a categoria “juventude como sujeito de direitos”, a autora pontua que é imprescindível que os âmbitos nacional e internacional dispensem o diálogo conjunto a respeito desses grupos (juventudes), uma vez que “as principais transformações que atingem os jovens também escapam ao nível de decisões nacionais (transformações no mundo do trabalho, narcotráfico mundial, indústria bélica)(...).” (p.9). 

Pensar o “jovem como sujeito de direitos” diz respeito, também, à particularidade de cada um, sem a ideia de exclusão dos “direitos difusos”. A experiência que cada indivíduo e/ou grupo adquire no processo de desenvolvimento fomenta as possibilidades de engajamento social, e, por consequência, amplia a conexão solidária da coletividade a partir de experiências similares. Respeitar as especificidades e considerá-las é um passo fundamental para o desenvolvimento e ampliação de políticas públicas para as juventudes, uma vez que “a juventude não só refletirá a sociedade, mas está desafiada a reinventá-la." (p.9).

segunda-feira, 25 de abril de 2022

Cultura e Representação

Resenha do Capítulo 1, do livro:


HALL, Stuart. Cultura e representação. Organização e Revisão Técnica: Arthur Ituassu; Tradução: Daniel Miranda e William Oliveira. – Rio de Janeiro: Ed. PUC-Rio: Apicuri, 2016. ISBN (Apicuri): 978-85-8317-048-8


Por Florival José de Souza Filho


Segundo Hall (2016), a “questão da representação” é vista como a prática central que produz a cultura e momento-chave do que tem sido chamado de “circuito de cultura”. Nesse sentido, levanta questões como: o que representação tem a ver com cultura? Qual conexão existe entre representação e cultura?

Para Hall (2016), cultura diz respeito a significados compartilhados, sendo a linguagem, o meio através do qual damos sentido às coisas, produzimos e intercambiamos significados, valores, fundamentais para os sentidos e a cultura

Os questionamentos de Hall (2016) centram-se sobre como a linguagem constrói significados? Como sustenta o diálogo? Como permite que uma cultura de significados compartilhados interprete o mundo de forma semelhante? Concluindo que suas indagações ocorrem através de um sistema representacional que usa signos e símbolos (sonoros, escritos, imagens eletrônicas, notas musicais) que representam, para os indivíduos, seus conceitos.

Nesse sentido, a linguagem, torna-se, para Hall (2016), um caminho pelo qual pensamentos, ideias e sentimentos, são representados numa cultura, e se tornam essenciais aos processos pelos quais os significados são produzidos.  O exame da “produção e circulação de sentido, por meio da linguagem” é o tema central de sua análise, que tem a cultura como tudo o que seja característico sobre o “modo de vida” de um povo, comunidade, nação ou grupo social.

A importância do sentido para a definição de cultura, diz Hall (2016), encontra-se na “virada cultural” das ciências humanas e sociais, nos estudos culturais e na sociologia da cultura. Sendo assim, cultura também diz respeito há um conjunto de práticas, a produção e ao intercâmbio de sentidos e ao compartilhamento desses significados entre os membros de um grupo ou sociedade.

A cultura, para Hall (2016), se relaciona a sentimentos, a emoções, a um senso de pertencimento, bem como a conceitos e ideias (a expressão do meu rosto que pode revelar algo sobre minha identidade); o que estou sentindo (emoções); e a qual grupo sinto-me pertencente (pertencimento). E os significados culturais organizam e regulam práticas sociais, influenciam nossa conduta e consequentemente geram efeitos reais e práticas.

Hall (2016) afirma que os participantes de uma cultura dão sentido aos indivíduos, objetos e acontecimentos, demonstram que as coisas em si, raramente têm um significado único, fixo e inalterável, ou seja: “uma pedra pode ser somente uma rocha, um delimitador de fronteira ou uma escultura” dependendo do que ela significa para os grupos.

Os indivíduos, segundo Hall (2016), dão sentidos a objetos, pessoas e eventos por meio de paradigmas de interpretação que chegam a eles. Dão sentidos às coisas pelo modo como as utilizam ou a integram em suas práticas cotidianas. Assim, o uso que fazem de uma pilha de tijolos com argamassa, é que faz disso uma casa, e o que” sentem, pensam ou dizem a respeito dessa casa, é o que a torna um lar.

A cultura, ao permear toda a sociedade, diferencia o elemento humano na vida social daquilo que é biologicamente direcionado, ressaltando o papel fundamental do domínio simbólico no centro da vida em sociedade, ou seja, o circuito da cultura indica que sentidos são de fato elaborados em diferentes áreas e perpassados por vários processos e práticas denominadas por Hall (2016) de circuito cultural.

Segundo Hall (2016), o sentido nos permite cultivar a noção de nossa própria identidade, “quem somos” e a “quem pertencemos”, e se relaciona, a questões do como a cultura é usada para restringir ou manter a identidade dentro do grupo e sobre a diferença entre grupos. O sentido é constantemente elaborado e compartilhado em cada interação pessoal e social da qual fazemos parte, é o campo mais privilegiado embora mais negligenciado da cultura e do significado.

O sentido também é produzido pelas mídias de massa, sistemas de comunicação global de tecnologia complexa, que fazem os sentidos circularem entre diferentes culturas e, é sempre criado quando nos expressamos por meio de objetos culturais, quando os consumimos, fazemos usos ou nos apropriamos e investimos em tais objetos, valor e significado, ou quando tecemos narrativas que reduzem a fantasia em torno destes.

Os sentidos, diz Hall (2016), regulam e organizam nossas práticas e condutas, auxiliam no estabelecimento de normas e convenções, na construção da identidade e na demarcação das diferenças, na produção, consumo e regulação da conduta social, ou seja, são os meios, onde o sentido se vê elaborado e perpassado, tendo como primeiro elemento do circuito da cultura, a linguagem.

Para Hall (2016), os indivíduos que compartilham a mesma cultura também convivem com conjuntos de conceitos, imagens e ideias, que lhes permitem sentir, refletir e interpretar o mundo de forma semelhante ao dividir os mesmos códigos culturais. Assim, pensar e sentir são, em si mesmos, sistemas de representação nos quais conceitos, imagens e emoções “dão sentido a” ou representam em nossa vida mental, objetos que estão ou podem estar lá fora no mundo. O sentido é um diálogo parcialmente compreendido, ou seja, sempre uma troca desigual.

Essas diferentes formas de produção e transmissão são chamadas de línguas. As línguas operam por meio da representação falada (uso de sons), escrita (uso de palavras), musical (uso de notas em escala), corporal (emprega gestos físicos).

Hall (2016), entende que os sons, as palavras, os gestos, as expressões, as roupas, são parte da nossa realidade natural e material. Sua importância para a linguagem, não se reduz ao que são, mas sim ao que fazem, “as suas funções. Eles constroem significados e os transmitem, visto que não possuem um sentido claro em si mesmos, são veículos ou meios que carregam sentidos, funcionam como símbolos que representam ou conferem sentido as ideias que desejamos transmitir.

Deste modo, dirá Hall (2016) que a linguagem é uma prática significante. Qualquer sistema representacional que trabalha nesses termos, pode ser visto de forma geral, como algo que funciona de acordo com os princípios da representação pela linguagem. A fotografia é um sistema representacional, pois usa imagens sobre um papel fotossensível, para transmitir um sentido fotográfico a respeito de determinado indivíduo. A música usa a linguagem na medida em que emprega notas musicais para transmitir sensações e ideias.

Os jogos de futebol, repletos de cartazes, bandeiras e slogans, rostos e corpos pintados de certas cores ou inscritos com certos símbolos, podem ser considerados como uma linguagem na medida em que é uma prática simbólica que concede sentido ou expressão à ideia de pertencimento a uma cultura nacional ou de identificação com uma comunidade local. Isso é parte da linguagem da identidade nacional, um discurso de pertencimento nacional, representação aqui está intimamente ligada à identidade e conhecimento.

A linguagem fornece um modelo geral do funcionamento da cultura e da representação, especialmente na chamada abordagem semiótica - estudo dos signos e seus papéis - enquanto veículo de sentido numa cultura em que, ultimamente, centrou seu esforço no estudo do discurso na cultura.

Para Hall (2016), discursos são maneiras de se referir a um determinado tópico da prática ou sobre ele construir conhecimento, um conjunto de ideias, imagens e práticas que suscitam variedades no falar, formas de conhecimento e condutas, relacionadas a um tema particular, atividade social ou lugar institucional na sociedade que define o que é ou não adequado sobre um determinado tema ou área de atividade social.

As formações discursivas, definem ainda que tipo de conhecimento é considerado útil, relevante, verdadeiro em seu contexto e definem que gênero de indivíduos ou sujeitos personificam essas características. Assim a formação discursiva se tornou, termo geral, utilizado para fazer referência a qualquer abordagem, onde o sentido, a representação e a cultura são elementos considerados constitutivos.

O uso corrente da linguagem e do discurso, enquanto modelos de como a cultura, o sentido e a representação funcionam, bem como a subsequente “virada discursiva” nas ciências humanas e sociais, constituem a mudança de direção mais importante, ocorrida nos últimos anos no estudo da vida em sociedade.

por Frank Marcon

1. Representação, sentido e linguagem

A prática da representação, representa para Hall (2016), o processo chave do circuito cultural que ocupa um novo e importante lugar no estudo da cultura. A representação conecta o sentido e a linguagem à cultura. Mas o que isso quer dizer? O que a representação tem a ver com cultura e significado?

Segundo Hall (2016), a representação utiliza a linguagem para expressar algo sobre o mundo ou representá-lo a outras pessoas, mas também, é uma parte essencial do processo pelo qual os significados são produzidos e compartilhados entre os membros de uma cultura. Portanto, representar envolve o uso da linguagem, dos signos e imagens para significar ou representar objetos, tornando-se um processo complexo de conexão entre sentido e linguagem.

Nesse sentido, Hall (2016) apresenta três abordagens teóricas que entende como passíveis de auxiliar no entendimento da representação do mundo efetivado pela linguagem, ou seja: quando a linguagem reflete um significado que já existe no mundo dos objetos pessoas ou eventos, a abordagem é reflexiva. Quando expressa somente o que o falante, o escritor, o pintor querem dizer, o significado intencional pretendido por Ele, a abordagem é intencional ou quando o significado se constrói na linguagem e por meio dela, a abordagem é construtivista.

A representação é a produção do significado e dos conceitos da nossa mente, por meio da linguagem. É a conexão entre conceitos e linguagem que permite nos referirmos ao mundo real dos objetos, sujeitos ou acontecimentos, no mundo imaginário de objetos sujeitos e acontecimentos fictícios.

Temos assim dois sistemas de representação. O primeiro, no qual toda ordem de objetos, sujeitos e acontecimentos é correlacionada a um conjunto de conceitos ou representações mentais, que nós carregamos, e sem eles, jamais conseguiríamos interpretar o mundo de maneira inteligível. O significado depende do sistema de conceitos e imagens, formados em nossos pensamentos que podem representar ou se colocar como o mundo.

Sendo assim, a cultura é por vezes, definida em termos de sentidos compartilhados ou mapas conceituais compartilhados, mas não é o bastante, precisamos ser capazes de representar e trocar sentidos e conceitos, o que só podemos fazer quando também temos acesso a uma linguagem comum.

A linguagem se apresenta, portanto, como o segundo sistema de representação, envolvido no processo global de construção de sentido. O sistema escrito, o sistema falado de uma língua em particular, são ambos considerados linguagens, as imagens visuais, sejam elas produzidas pela via manual, mecânica, eletrônica digital, quando usadas para expressar sentidos, as expressões faciais ou do gestos, a linguagem da moda, do vestiário, das luzes do tráfego, a música, enfim, qualquer som, palavra, imagem ou objeto que funcionem como signos, que sejam capazes de carregar e expressar sentido e que estejam organizados com outros em um sistema, são sobre esta ótica uma linguagem.

O termo geral que usamos para palavras, sons ou imagens que carregam sentido é signo e estes, indicam ou representam os conceitos e as relações entre eles, em nossa mente, e juntos constroem os sistemas de significado da nossa cultura.

1.2 Linguagem e Representação

Segundo Hall (2016), as pessoas que pertencem à mesma cultura compartilham um mapa conceitual relativamente parecido. Nesse sentido, devem compartilhar também uma maneira semelhante de interpretar os significados de uma linguagem. Só assim os sentidos serão efetivamente intercambiados entre os sujeitos.

Hall (2016) questiona: como sabermos se o conceito indica tal coisa? Ou que a palavra efetivamente representa determinado conceito? Como saber que sons ou imagens trarão, por meio da linguagem, o sentido de meus conceitos e do que quero expressar com eles? Isso pode ser simples no caso dos signos visuais, já que o desenho, a pintura ou a imagem de uma ovelha na câmera e na TV por exemplo, traz a semelhança do animal peludo pastando em um campo ao qual eu quero me referir.

Imagens e signos visuais, mesmo quando carregam uma semelhança próxima às coisas a que fazem referência, continuam sendo signos, eles carregam sentido e então têm que ser interpretados. Para fazer isso, nós devemos ter acesso a dois sistemas de representação. Um que correlaciona o animal no campo com o conceito de ovelha e outro que correlacionado há um sistema de linguagem no qual a linguagem visual carrega algumas semelhanças com a coisa real ou parece com ela de alguma forma.

A relação entre o conceito e o signo, torna-se mais difícil no caso das linguagens, escritas ou faladas nas quais as palavras não parecem nada com as coisas às quais se referem, nem soam como elas. Em parte, isso ocorre porque existem diferentes tipos de signos. Os signos visuais que chamamos de icônicos e carregam uma semelhança com o objeto, pessoa ou evento ao qual fazem referência e os signos escritos ou ditos que são chamados de indexicais e não carregam nenhuma relação óbvia com as coisas às quais se referem.

 

1.3 Compartilhando os códigos

Ao discutir o compartilhamento dos códigos, Hall (2016), busca entender como as pessoas que pertencem à mesma cultura, que compartilham o mesmo mapa conceitual e que falam ou escrevem a mesma língua, sabem que a combinação arbitrária de letras e sons que constitui a palavra ÁRVORE indica ou representa o conceito de “planta grande que cresce na natureza”?

No entanto, afirma que árvores de não saibam que são árvores e que, o sentido não está no objeto, na pessoa, ou na coisa, e muito menos na palavra. Somos nós quem fixamos o sentido, tão firmemente que depois de um tempo ele parece natural e inevitável. O sentido é construído pelo sistema de representação e fixado pelo código que estabelece a correlação entre nosso sistema conceitual e nossa linguagem, de modo que a cada vez que pensamos em uma árvore o código nos diz para usar a palavra em português árvore; a letra V para VITÓRIA; a cor vermelha do semáforo para PARE e verde para LIVRE.

Para Hall (2016) então, um jeito de pensar a cultura é nos termos desses mapas conceituais compartilhados, sistemas de linguagem compartilhada e códigos que governam as ações de tradução entre eles. Os códigos fixam as relações entre conceitos e signos, estabilizam o sentido dentro de diferentes linguagens e culturas, nos dizem qual linguagem devemos usar para exprimir determinada ideia. Inversamente nos dizem quais conceitos estão em jogo, quando ouvimos ou lemos certos signos, e nos possibilitam falar e ouvir inteligivelmente, e estabelecer uma “tradutibilidade” entre nossos conceitos e nossas línguas.

Entende-se agora, de forma mais fácil, porque, sentido, linguagem e representação são elementos fundamentais no estudo da cultura. Pertencer a uma cultura é pertencer, grosso modo, ao mesmo universo conceitual e linguístico, saber como conceitos e ideias se traduzem em diferentes linguagens e como a linguagem pode ser interpretada para se referir ao mundo ou para servir de referência a ele. Compartilhar esses aspectos é enxergar o mundo pelo mesmo mapa conceitual e extrair sentido dele pelos mesmos sistemas de linguagem.

O sentido não é inerente às coisas do mundo. Ele é construído, produzido, é o resultado de uma prática significante - uma prática que produz sentido, que faz os objetos significarem.

1.4 Teorias da Representação

Nesse item, Hall (2016) nos apresenta os três enfoques que explicam como a representação do sentido pela linguagem funciona, são eles: o enfoque reflexivo, o intencional e o construtivista. Na abordagem reflexiva, o sentido é pensado como repousando no objeto, pessoa, ideia ou evento no mundo real, e a linguagem funciona como um espelho, para refletir o sentido verdadeiro, como ele existe no mundo.

A abordagem intencional, defende que é o interlocutor, o autor, quem impõem seu único sentido no mundo pela linguagem. As palavras significam o que o autor pretende que signifiquem. Todos nós usamos a linguagem para convencer ou comunicar coisas que são especiais ou únicas para nosso modo de ver o mundo.

A terceira abordagem é a construtivista. Ela reconhece o caráter público e social da linguagem. Ela atesta que nem as coisas nelas mesmas, nem os usuários individuais podem fixar os significados na linguagem. As coisas não significam: nós construímos o sentido usando os sistemas representacionais - conceitos e signos. De acordo com esta abordagem, nós não devemos confundir o mundo material, onde as coisas e pessoas existem, com as práticas e processos simbólicos pelos quais representação, sentido e linguagem operam.

2. O legado de Saussure

Segundo Hall (2016), a visão social construtivista da linguagem e da representação deve muito a obra e influência do linguista suíço Ferdinand de Saussure. Para Saussure, a produção do sentido depende da linguagem: “a linguagem é um sistema de sinais.” Sons, imagens, palavras escritas, pinturas, fotografias, etc, funcionam como signos dentro da linguagem “apenas quando eles servem para expressar ou comunicar ideias”. Para comunicá-las, eles devem ser parte de um sistema de convenções.

O signo foi analisado por Saussure, em dois outros elementos: a forma (a verdadeira palavra, imagem, foto, etc) e a ideia ou conceito na sua cabeça com a qual a forma era associada. Saussure, chamou o primeiro elemento de significante e o segundo elemento - o conceito correspondente que ele desencadeia na sua cabeça - de significado. Cada vez que você ouvir ou ler o significante (isto é a palavra ou imagem de um celular, por exemplo), ele será relacionado com o significado (o conceito de um telefone portátil na sua cabeça).

Hall (2016), afirma que Saussure, propôs que a linguagem consiste em significantes. Mas para produzir sentido, os significantes devem estar organizados em um sistema de diferenças. É a diferença entre os significantes que significa. E a relação entre o significante e o significado, que é fixada pelos nossos códigos culturais, não é, argumentou Saussure, permanentemente fixa. Palavras mudam os seus sentidos que são produzidos dentro da história e da cultura. Assim, se o sentido muda historicamente e nunca é fixado de forma definitiva, o que se segue é que captar o sentido, deve envolver um processo ativo de interpretação.

2.1 A parte social da linguagem

Segundo Hall (2016), Saussure, dividiu a linguagem em duas partes: a primeira consiste nas regras e códigos gerais do sistema linguístico que deve ser compartilhado para que se torne um meio de comunicação. Essa estrutura de linguagem subjacente, governada por regras, nos permite produzir sentenças bem informadas chamada por Saussure de “langue” (o sistema de linguagem).

A segunda parte consiste nos atos particulares de fala, escrita ou desenho - que usando a estrutura e as regras da langue (sistema de linguagem) - são produzidos por um interlocutor ou escritor real. Ele chamou isso de “parole” ou fala (ou escrita).

Segundo Hall (2016), a estrutura subjacente de regras e códigos (langue) é a parte social da linguagem e poderia ser estudada com a precisão das leis de uma ciência, devido à sua natureza fechada, limitada. A segunda parte da linguagem, o ato individual da fala ou do pronunciamento (parole), é a superfície da linguagem. A linguagem para Saussure é, um fenômeno social, que não pode ser uma questão individual, já que não é possível inventar as regras da linguagem individualmente, para nós mesmos.