domingo, 3 de junho de 2018

“Tempo e espaço”, de Zygmunt Bauman - Resenha


Por: Laise Maria da Silva

BAUMAN, Zygmunt. Modernidade líquida. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001, pp. 107-149.

No texto de Bauman sobre “tempo e espaço”, o autor inicia o capítulo refletindo sobre a categoria espaço, a partir do projeto do arquiteto inglês George Hazeldon, que consistia na construção de Heritage Park, uma cidade planejada.

Segundo o sociólogo, o projeto de Heritage Park consistia em uma fortaleza, que apesar de ser segura contra ataques externos (assaltos, vandalismos, etc.) sufocava internamente a comunidade que ali residia. Desta forma, esse projeto queria vender a ideia de uma sociedade perfeita, que vivesse em harmonia, onde o “outro” (vagabundo, assaltante, etc.) poderia ser evitado. Contudo, isso acabava também reprimindo os próprios moradores.

Com base no pensamento de Sennett, Bauman pondera que o que garante uma convivência com o mínimo de harmonia é o que Sennett chamou de “civilidade”, e para que isto possa acontecer faz-se necessário um ambiente civil, promovido por espaços públicos. Espaços esses que estão cada vez menos civis.

No decorrer do texto, Bauman exemplifica algumas categorias de espaços que são públicos, mas não civis. Como primeiro exemplo, ele cita a praça “La Défense” em Paris, que de acordo com o mesmo, este espaço é resguardado e nada convidativo para que os pedestres sentassem nos bancos e socializassem.       

A segunda categoria, ressaltada pelo sociólogo, é a dos indivíduos enquanto consumidores, que frequentam espaços como shoppings, cafés, etc. Sendo o objetivo dos que frequentam esses espaços uma experiência individual, de comprar, e de não interagirem entre si.

A terceira categoria que Bauman destaca é a dos não-lugares, que o mesmo define como sendo as esperas nos aeroportos, os transportes públicos e os quartos de hotéis, que são responsáveis por anular qualquer contato entre os indivíduos.

Por fim, a última categoria que o autor salienta são os espaços vazios, que segundo ele existem dois tipos, os restos arquitetônicos, como bairros pobres, cortiços e moradias improvisadas, e os criados a partir da própria estrutura cognitiva das pessoas. Sendo assim, conforme Bauman, as quatro categorias são responsáveis por atuarem em uma frente única, o que anula qualquer tipo de interação.

Com relação ao tempo, o sociólogo salienta que a modernidade foi responsável por inaugurar a história do tempo. Segundo o mesmo, foi através de técnicas e tecnologias criadas pelo homem que a relação sujeito/tempo foi modificada. Como exemplo dessa mudança, Bauman destaca a inovação nos meios de transportes, o que possibilitou o encurtamento no tempo de viagem, das correspondências, etc.

É importante destacar que o autor compreende o tempo como um elemento que pode ser manipulado, corrompido e encurtado, de acordo com aqueles que estão no domínio. O sociólogo também salienta que a percepção de tempo se modificou com os avanços tecnológicos, o que possibilitou que informações percorressem distâncias quilométricas em segundos.

Bauman enfatiza que um dos fatores de dominação do tempo é a previsibilidade, pois, sendo o mesmo instantâneo, torna-se assim imprevisível, e aqueles que conseguem prevê-lo, têm seu domínio. Em suma, o sociólogo explica que, devido ao fato dos dominados não aproveitarem a instantaneidade do tempo, os mesmos acabam presos às suas próprias limitações (tecnológicas, financeiras, etc.).

Um comentário:

disney fan clube disse...

Amei o resumo, me ajudou bastante na minha redação!