Vídeo realizado por Frank Marcon e Ely Daisy
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segunda-feira, 3 de agosto de 2015
Música de Festa: o kuduro em Salvador
Vídeo realizado por Frank Marcon e Ely Daisy
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sábado, 20 de abril de 2013
Cinema, memória e ditadura
Lista de filmes sobre a ditadura civil-militar brasileira.
Comente sobre os filmes abaixo e indique mais títulos:
O desafio (Paulo Cesar Saraceni, 1964);
Terra em transe (Glauber Rocha, 1967);
A opinião pública (Arnaldo Jabor, 1967);
Liberdade de imprensa (Curta-metragem - João Batista de Andrade, 1968);
Você também pode virar um presunto legal (Sérgio Muniz, 1971/2006);
Brazil: a report on torture (Saul Landau & Haskell Wexler, 1971);
Estado de sítio (Costa-Gravas, 1972);
Blablablá (Andrea Tonacci, 1975);
O Bom burguês (Oswaldo Caldeira, 1979);
Pra frente, Brasil (Roberto Faria, 1982);
Frei Tito (Curta-metragem - Marlene França, 1983);
Jango (Silvio Tendler, 1984);
Em nome da segurança nacional (Roberto Carminati, 1984);
Cabra marcado pra morrer (Eduardo Coutinho, 1985);
Feliz ano velho (Marcelo Rubens Paiva, 1985);
Nada será como antes. Nada? (Renato Tapajós, 1985);
Que bom te ver viva (Lúcia Murat, 1989);
Muito além do Cidadão Kane (Simon Hartog, 1993);
Lamarca (Sérgio Rezende, 1994);
O que é isso, companheiro? (Bruno Barreto, 1997);
Ação entre amigos (Beto Brant, 1998);
Marighella - Retrato Falado do Guerrilheiro (Silvio Tendler, 1999);
Dois córregos (Carlos Reichenbach, 1999);
Golpe de 64: a procissão está nas ruas (Mauro Lima, 2000);
Barra 68 - Sem perder a ternura (Vladimir Carvalho, 2001);
Araguaya - a conspiração do silêncio (Ronaldo Duque, 2004);
Cabra-cega (Toni Ventura, 2004);
Quase dois irmãos (Lúcia Murat, 2004);
Tempo de resistência (Andre Ristum, 2004);
Olga (Jayme Monjardim, 2004);
Vlado: 30 anos depois (João Batista de Andrade, 2005);
Contos da resistência (Getsemane Silva, Glória Varela, Marcya Reis, André Carvalheira, Guilherme Bacalhao, 2005);
O Quintal Dos Guerrilheiros (João Massarolo, 2005);
Hércules 56 (Silvio Da-Rim, 2006);
Zuzu Angel (Sérgio Rezende, 2006);
1972 (José Emilio Rondeau, 2006);
O ano em que meus pais saíram de férias (Cao Hamburger, 2006);
Sonhos e Desejos (Marcelo Santiago, 2006);
Dzi Croquetes (Erika Bauer, 2006);
Batismo de Sangue (Helvécio Ratton, 2007);
Caparaó (Flávio Frederico, 2007);
Condor (Roberto Mader, 2007);
Corpo (Rossana Foglia, Rubens Rewald, 2007);
O profeta das águas (Leopoldo Nunes, 2007);
Tira os óculos e recolhe o homem (André Sampaio, 2008);
Cidadão Boilesen (Chaim Litewski, 2009);
Em teu nome (Paulo Nascimento, 2010);
O dia que durou 21 anos (Camilo Tavares, 2011);
Comente sobre os filmes abaixo e indique mais títulos:
O desafio (Paulo Cesar Saraceni, 1964);
Terra em transe (Glauber Rocha, 1967);
A opinião pública (Arnaldo Jabor, 1967);
Liberdade de imprensa (Curta-metragem - João Batista de Andrade, 1968);
Você também pode virar um presunto legal (Sérgio Muniz, 1971/2006);
Brazil: a report on torture (Saul Landau & Haskell Wexler, 1971);
Estado de sítio (Costa-Gravas, 1972);
Blablablá (Andrea Tonacci, 1975);
O Bom burguês (Oswaldo Caldeira, 1979);
Pra frente, Brasil (Roberto Faria, 1982);
Frei Tito (Curta-metragem - Marlene França, 1983);
Jango (Silvio Tendler, 1984);
Em nome da segurança nacional (Roberto Carminati, 1984);
Cabra marcado pra morrer (Eduardo Coutinho, 1985);
Feliz ano velho (Marcelo Rubens Paiva, 1985);
Nada será como antes. Nada? (Renato Tapajós, 1985);
Que bom te ver viva (Lúcia Murat, 1989);
Muito além do Cidadão Kane (Simon Hartog, 1993);
Lamarca (Sérgio Rezende, 1994);
O que é isso, companheiro? (Bruno Barreto, 1997);
Ação entre amigos (Beto Brant, 1998);
Marighella - Retrato Falado do Guerrilheiro (Silvio Tendler, 1999);
Dois córregos (Carlos Reichenbach, 1999);
Golpe de 64: a procissão está nas ruas (Mauro Lima, 2000);
Barra 68 - Sem perder a ternura (Vladimir Carvalho, 2001);
Araguaya - a conspiração do silêncio (Ronaldo Duque, 2004);
Cabra-cega (Toni Ventura, 2004);
Quase dois irmãos (Lúcia Murat, 2004);
Tempo de resistência (Andre Ristum, 2004);
Olga (Jayme Monjardim, 2004);
Vlado: 30 anos depois (João Batista de Andrade, 2005);
Contos da resistência (Getsemane Silva, Glória Varela, Marcya Reis, André Carvalheira, Guilherme Bacalhao, 2005);
O Quintal Dos Guerrilheiros (João Massarolo, 2005);
Hércules 56 (Silvio Da-Rim, 2006);
Zuzu Angel (Sérgio Rezende, 2006);
1972 (José Emilio Rondeau, 2006);
O ano em que meus pais saíram de férias (Cao Hamburger, 2006);
Sonhos e Desejos (Marcelo Santiago, 2006);
Dzi Croquetes (Erika Bauer, 2006);
Batismo de Sangue (Helvécio Ratton, 2007);
Condor (Roberto Mader, 2007);
Corpo (Rossana Foglia, Rubens Rewald, 2007);
O profeta das águas (Leopoldo Nunes, 2007);
Tira os óculos e recolhe o homem (André Sampaio, 2008);
Cidadão Boilesen (Chaim Litewski, 2009);
Em teu nome (Paulo Nascimento, 2010);
O dia que durou 21 anos (Camilo Tavares, 2011);
Marighella (Isa Grinspum Ferraz, 2011);
Uma longa viagem (Lúcia Murat, 2011);
Hoje (Tata Amaral, 2011).
Hoje (Tata Amaral, 2011).
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segunda-feira, 15 de abril de 2013
O filme Hoje, com
direção de Tata Amaral, estreia nos cinemas na próxima sexta, 19. Vencedor do
Festival de Cinema de Brasília, o longa conta a história de Vera (Denise
Fraga), uma ex-militante política que recebe uma indenização do governo em decorrência
do desaparecimento do marido (Cesar Troncoso), vítima da repressão provocada
pela ditadura civil-militar. Com o dinheiro, ela consegue comprar um
apartamento, além de enfim poder ser reconhecida como viúva. Só que, quando
está prestes a se mudar, recebe uma visita que altera sua vida. O filme traz
uma nova perspectiva sobre o tema, já que se desenrola no “presente” sobre o “passado”.
A memória e os fantasmas desse período, tanto de Vera, como da sociedade,
parecem ser um dos temas fundamentais tratados pelo filme.
Assista ao trailer do filme:
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segunda-feira, 8 de abril de 2013
Cinema da África e sobre a África
Comente sobre os filmes abaixo e indique links
A Guerra do Kuduro (Henrique Narciso Dito - 2009)
Ficção sobre o kuduro, com atores músicos e encenado em Luanda.
É Dreda Ser Angolano (Rádio Fazuma – 2010) 65min.
Documentário sobre juventude em Luanda, música e cotidiano.
Luanda, a Fábrica da Música (Kiluange Liberdade e Inês Gonçalves -2009) 57min.
Documentário sobre o kuduro em Luanda, modos de fazer, dinâmicas, músicos e público.
Mãe Ju (Kiluange Liberdade e inês Gonçalves) 55min.
Documentário sobre a discoteca da Mãe Ju, em Luanda.
Na Terra Como no Céu (Inês onçalves)
Documentário com temática religiosa, em São Tomé e Príncipe.
Nu Bai, o Rap Negro de Lisboa (Otavio Raposo, 2006) 67min.
Documentário sobre o rap nos bairros de Lisboa. A diferença é de dez anos na realização para outro filme acima sobre o rap em Lisboa.
O Rap é uma Arma (Kiluange Liberdade, 1996) 35 min.
Documentário sobre o rap nos bairros de Lisboa.
Realização para outro filme acima sobre o rap em Lisboa.
Oxalá Cresçam Pitangas (Ondjaki e Kiluange Liberdade, 2008) 63min
Documentário sobre Luanda pós guerra civil, juventude, cotidiano e expectativas.
Tchioli (Kuluange Liberdade e Inês Gonçalves, 2009) 51min
Documentário sobre práticas tradicionais em São Tomé e Príncipe.
Outros Bairros (Kiluanje Liberdade, Inês Gonçalves e Vasco Pimentael) 54min
Documentário sobrtre bairros periféricos em Lisboa, juventude negra.
A Guerra Colonial (Joaquim Furtado, 2007)
Documentário em vários episódios, em média 60min cada, sobre a guerra colonial portuguesa em Angola.
Atlântico Negro: na Rota dos Orixás (Renato Barbieri, 1998)
Documentário sobre religião dos orixás entre Brasil e África.
Quilombos da Bahia (Antonio Olavo) 98 min.
Documentário sobre os quilombos do estado da Bahia.
Nhá Fala (Flora Gomes, 2002)
Ficção sobre jovem cantora em Bissau. Trata da transgressão simbólica A tragédia, augúrio ditado pela negra condição africana, é contornada por um poder maior, que a tradição substima, reprimida pelo colonialismo : a força da vida.
Cafundó (Paulo Betti e Clovis Bueno) 98 min.
Ficção biográfica sobre a vida de João de Camargo, Preto Velho milagreiro nas primeiras décadas do século XX.
segunda-feira, 1 de abril de 2013
Cinema e memória: 49 anos depois do golpe civil-militar
Por Danielle Noronha
RICOEUR, Paul. A memória, a história e o
esquecimento. Campinas, SP: Editora da Unicamp, 2007.
No dia 31 de
março de 1964 era instaurada a ditadura civil-militar, que governou o país por 21
anos. Hoje, 49 anos depois do início do golpe, em meio a revoltas e
comemorações, a tensão pela memória sobre esse período está cada vez mais aparente.
A construção da memória coletiva nacional relativa à ditadura está numa
constante disputa entre as diferentes interpretações sobre esses anos, pelo
fato de haver versões hegemônicas e outras versões menos evidenciadas, que
reivindicam o direito de falar a “verdade” sobre esse passado. A criação da
Comissão Nacional da Verdade, instalada oficialmente em 16 de maio de 2012,
ampliou o espaço oficial para a difusão destas diferentes memórias e ainda mais
o embate entre as versões. Porém, mesmo antes da instituição da comissão,
outros meios eram utilizados como forma de dar visibilidade às memórias
“silenciadas”, que não encontravam espaço nos documentos ou em outros meios
oficiais de veiculação, e a arte se tornou um campo importante para a
manifestação destas diferentes representações.
O cinema se
destaca como uma das principais formas de arte no que diz respeito a
construções idealizadas do que foi a ditadura. Primeiro, pela relação que a
imagem cinematográfica, através de sua projeção, pode criar com o espectador,
já que os filmes são altamente regulados pelo “efeito de real”, ideia que Barthes
(2004) desenvolveu para a literatura, mas que também está presente nos filmes, que
pode criar, reforçar ou modificar o imaginário nacional sobre o período, além
de reformular o discurso sobre a nação. Para Barthes, o “efeito de real”
consiste nas estratégias utilizadas nas narrativas realistas para descrever ao
leitor o ambiente proposto, que representam o “real” a partir de sentidos
conotados e denotados, de tal modo que sejam apagados os resquícios da
artificialidade e criada uma relação entre leitor e texto, a partir das
referências do que o leitor entende por “realidade”. Em segundo lugar, o cinema
remete à relação entre arte e vida, já que os filmes podem ser entendidos como
artefatos culturais que “falam” muito da cultura da qual fazem parte.
A construção da
memória social sobre a ditadura civil-militar, então, em constante movimento e
negociação, é compreendida por distintos agentes sociais de variadas formas. O
cinema é apenas mais um lugar social em que se reivindica espaço para
veiculação sobre pontos de vista deste período, em que é possível ter contato
com novas versões, que no geral, evidenciam memórias que de alguma forma
foram silenciadas. Neste sentido, optar por tematizar a ditadura significa
fazer parte da tensão que busca (re)significá-la para um público presente. A
rememoração também é um ato político.
Desta forma, por
trás da representação cinematográfica e das disputas pela memória do período
estão conceitos que fazem parte de todo esse cenário tenso, em que há uma briga
pelos significados das palavras verdade e silenciamento. É a forma como as
pessoas da nação compreendem o significado dessas palavras que está em disputa,
pois esses temas estão atrelados à grande parte dos discursos sobre a ditadura
e já fazem parte do imaginário sobre o período. O que se busca é indicar o modo
como a sociedade entende e compartilha o passado, a partir da relação entre
imaginário e memória. Esta questão está muito atrelada à ideia de
reconciliação, em que o perdão ainda está sendo negociado, e a conciliação
social ainda está em curso. Quando se trata de trazer questões relacionadas à
memória da ditadura civil-militar são conotados sentimentos que envolvem
silenciamento, além de esquecimento, ressentimento e perdão, que estão também
relacionados com a forma com a qual o país passou do governo autoritário para o
“democrático”, sem punições, e com a imposição de versões que minimizaram as
atrocidades e as diversas violências que foram cometidas nesse período. Assim,
o testemunho apresentado no cinema é utilizado como uma forma de “representação
do passado por narrativas, artifícios retóricos, colocação em imagens”
(RICOUER, 2007, p. 170), que ativa uma memória com o objetivo de não esquecer,
de não silenciar.
A produção
cinematográfica nacional acumulou um grande número de obras que trabalham com
representações acerca deste tema. Os filmes trazem para o presente diferentes
releituras sobre o passado, cada qual balizado por determinados aspectos do
período, mas que de algum modo dialogam entre si, mesmo que no embate por
ressignificações. Dentre os filmes, é possível encontrar distintos gêneros, que
geralmente tiveram seus argumentos pautados em biografias, fatos políticos e/ou
sociais marcantes ou até mesmo em experiências vivenciadas pelos autores das
obras.
Principalmente a
partir da “retomada do cinema brasileiro”, mesmo não sendo possível
classificá-los como uma corrente estética única, é possível determinar
diferentes momentos e estilos de trabalho, em que existem, por exemplo, filmes
com caráter de denúncia, filmes de ação, filmes biográficos e, mais atualmente,
filmes que buscam fazer uma releitura do passado a partir do presente, quando
são trabalhados temas como os traumas, a vingança e a memória, como Corpo (Rossana Foglia, Rubens Rewald,
2007) e Hoje (Tata Amaral, 2012). As
histórias podem ser baseadas em personagens reais, como Lamarca (Sérgio Rezende, 1994), Marighella
- Retrato Falado do Guerrilheiro (Silvio Tendler, 1999) e Zuzu Angel (Sérgio Rezende, 2006); em
acontecimentos reais, como Araguaya - a
conspiração do silêncio (Ronaldo Duque, 2004), Hércules 56 (Silvio Da-Rim, 2006), Batismo de Sangue (Helvécio Ratton, 2007) e Condor (Roberto Mader, 2007) ou em histórias ficcionais formuladas
sobre um “período” real a partir da forma como o autor entende o passado, como Ação entre amigos (Beto Brant, 1998) e O ano em que meus pais saíram de férias
(Cao Hamburger ,
2006). Portanto, é possível unificá-los, ao menos, como filmes políticos, pelas
características que estão presentes em seus discursos.
Nesse
aniversário de 49 anos do golpe ainda há muitas dúvidas e lacunas sobre o
período. Novas histórias estão encontrando espaço e muitas outras versões ainda
precisam aparecer para que a sociedade possa (re)formular sua memória social
sobre a ditadura, sem ressentimentos. Enquanto isso, é possível buscarmos filmes
que foram produzidos – e conseguiram driblar a censura – desde 1964 até os dias
de hoje, e neles encontrarmos algumas novas possibilidades de ver, interpretar e
compreender esse passado.
Referências bibliográficas
BARTHES,
Roland. O rumor da língua. São Paulo: Martins Fontes, 2004.
NORONHA, Danielle Parfentieff de. Cinema, memória e ditadura civil-militar: representações sobre as juventudes em O que é isso, companheiro? e Batismo de Sangue. Dissertação de mestrado. Universidade Federal de Sergipe, São Cristóvão, 2013.
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quarta-feira, 1 de junho de 2011
Juventudes e cinema no Brasil: memórias da ditadura militar
Mais de 40 anos depois do golpe militar ocorrido no Brasil, em 02 de abril de 1964, Barros (1994) acredita que a memória do regime ditatorial que se seguiu a ele pode parecer apenas um amontoado de generais-presidentes que desfilam de forma impositiva pela história do Brasil. Porém, há outras memórias sobre o período que buscam ser compartilhadas, já que a produção de uma memória supõe que outra foi silenciada, ou apenas não evidenciada.
O presente texto busca apresentar algumas questões sobre o meu projeto de dissertação de mestrado em antropologia, ainda em fase inicial. Partindo da ideia de que a ditadura militar é um tema que ainda mereça muita discussão e que, geralmente, tem apenas um lado mais divulgado, principalmente aos jovens, o trabalho busca analisar o cinema como um mecanismo de disseminação de memórias às juventudes de hoje sobre o período no Brasil.
As formas pelas quais o país passou da ditadura para a pós-ditadura, lenta e sem julgamento devido, “provocam diferentes imposições de silenciamento sobre os crimes cometidos” (SOUZA, 2008, p. 58). A questão das memórias da ditadura no país pode ser discutida através do que nos diz Pollak, que aponta o retraimento de lembranças sobre eventos e experiências traumáticas (POLLAK apud SOUZA, 2008, p. 58).
O cinema, devido o uso de imagens e a maneira com que se comunica com o espectador, além de ser uma forma de entretenimento, é um importante mecanismo de transmissão de informação. Imagens postas, dispostas podem ou não provocar reflexões e ser promotoras e construtoras de memórias. Neste caso, memórias com o sentido atribuído por Halbwaschs: como leituras do passado elaboradas no presente, sendo individuais e coletivas ao mesmo tempo. “O processo de rememoração provocado pela linguagem fílmica é ainda mais marcante” (ZANINI, 2008, p. 4) pela possibilidade de comunicação e facilidade de contar uma história.
Até o momento, o objetivo principal da pesquisa é entender como e de que forma o cinema pode revelar à juventude de hoje uma nova perspectiva sobre o período ditatorial brasileiro, diferente daquela contada pela história oficial e livros nas escolas, entendendo que a memória é um importante mecanismo de manipulação e criação de identidades. Dentre os objetivos específicos, a dissertação pretende também analisar como o cinema brasileiro trabalha com a temática, entender como o cinema produzido no país lida com a juventude e analisar a forma que obras transmitem uma história.
A pesquisa busca encontrar, a partir de uma interpretação da arte cinematográfica, uma sensibilidade maior sobre o período analisado, compreendendo como tais memórias individuais podem se tornar importantes para a criação da memória coletiva. Para Geertz (1997), a capacidade de uma arte fazer sentido varia de indivíduo para outro, é, como todas as outras capacidades plenamente humanas, um produto da experiência coletiva que vai bem mais além dessa própria experiência. O diálogo entre cinema, história e memória (SANTOS, 2009) é possível devido a importância que os filmes têm hoje na vida das pessoas. A arte faz parte da vida e não há outro meio de interpretá-la senão dentro do curso da vida do mundo (GEERTZ, 1997). No caso das obras cinematográficas sobre a ditadura militar, “os filmes organizam imaginativamente, pela emoção, uma memória suplementar, a qual se refere tanto àquele passado como aos momentos posteriores” (SOUZA, 2008 p. 51).
Os filmes selecionados para análise serão a partir do período conhecido como “retomada do cinema brasileiro”, em 1995. No primeiro momento, no qual se encontra a presente pesquisa, está sendo realizado um levantamento bibliográfico e filmográfico para concluir a metodologia, além de entender a relação entre memória, cinema e antropologia. A princípio, o passo seguinte é analisar a relação do jovem com o cinema brasileiro, a partir do levantamento de filmes feitos para a juventude e a recepção deles pelo público, pesquisando dados como bilheteria, temáticas e a forma como o jovem é retratado.
Em seguida, haverá uma discussão de aspectos da ditadura militar no Brasil, além de um estudo de como os filmes nacionais tratam o tema, analisando obras consideradas importantes devido a temática, seu sucesso e a história por trás de sua produção, como Batismo de Sangue e Ação entre Amigos.
Por último, será demonstrado como o cinema pode ajudar a contar outra história da ditadura no país, disseminando diferentes memórias para a juventude e como ela a recepciona, a partir da análise da linguagem, da narrativa, dos atores, das histórias e também da carreira cinematográfica, a recepção e a opinião dos jovens.
Barbosa (1999) acredita que o cinema e a antropologia têm estabelecido um intenso diálogo ao longo de suas histórias, sendo um deles compreender as relações entre a produção imagética de uma sociedade e sua própria vida social. Sem cair ingenuamente no engano de considerar o cinema como espelho da vida, procura-se caminhos para desvendar essa complexa relação entre arte e vida
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BARBOSA, Andréa C. M. Marques. Ana Lúcia Andrade. O filme dentro do filme. Revista de Antropologia, 2000. Disponível em http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-77012000000100013. Acesso em outubro de 2010.
BARROS, Edgar. Os governos militares. São Paulo: Editora Contexto, 1994.
GEERTZ, Clifford. A interpretação das culturas. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1978
HALBWACHS, Maurice. A memória coletiva. São Paulo: Vértice, Editora Revista dos Tribunais, 1990.
POLLAK, Michael. Memória, esquecimento, silêncio. Rio de Janeiro: Estudos históricos, 1989.
SOUZA, Maria Luiza Rodrigues. Tese de doutorado: Um estudo das narrativas cinematográficas sobre as ditaduras militares no Brasil (1964 – 1985) e na Argentina (1976 – 1983). Brasília: Universidade de Brasília, 2007.
ZANINI, Maria Catarina Chitolina. Por que cinema com antropologia? Breve relato de uma experiência etnográfica de recepção fílmica. UFSCAR, 2008.
O presente texto busca apresentar algumas questões sobre o meu projeto de dissertação de mestrado em antropologia, ainda em fase inicial. Partindo da ideia de que a ditadura militar é um tema que ainda mereça muita discussão e que, geralmente, tem apenas um lado mais divulgado, principalmente aos jovens, o trabalho busca analisar o cinema como um mecanismo de disseminação de memórias às juventudes de hoje sobre o período no Brasil.
As formas pelas quais o país passou da ditadura para a pós-ditadura, lenta e sem julgamento devido, “provocam diferentes imposições de silenciamento sobre os crimes cometidos” (SOUZA, 2008, p. 58). A questão das memórias da ditadura no país pode ser discutida através do que nos diz Pollak, que aponta o retraimento de lembranças sobre eventos e experiências traumáticas (POLLAK apud SOUZA, 2008, p. 58).
O cinema, devido o uso de imagens e a maneira com que se comunica com o espectador, além de ser uma forma de entretenimento, é um importante mecanismo de transmissão de informação. Imagens postas, dispostas podem ou não provocar reflexões e ser promotoras e construtoras de memórias. Neste caso, memórias com o sentido atribuído por Halbwaschs: como leituras do passado elaboradas no presente, sendo individuais e coletivas ao mesmo tempo. “O processo de rememoração provocado pela linguagem fílmica é ainda mais marcante” (ZANINI, 2008, p. 4) pela possibilidade de comunicação e facilidade de contar uma história.
Até o momento, o objetivo principal da pesquisa é entender como e de que forma o cinema pode revelar à juventude de hoje uma nova perspectiva sobre o período ditatorial brasileiro, diferente daquela contada pela história oficial e livros nas escolas, entendendo que a memória é um importante mecanismo de manipulação e criação de identidades. Dentre os objetivos específicos, a dissertação pretende também analisar como o cinema brasileiro trabalha com a temática, entender como o cinema produzido no país lida com a juventude e analisar a forma que obras transmitem uma história.
A pesquisa busca encontrar, a partir de uma interpretação da arte cinematográfica, uma sensibilidade maior sobre o período analisado, compreendendo como tais memórias individuais podem se tornar importantes para a criação da memória coletiva. Para Geertz (1997), a capacidade de uma arte fazer sentido varia de indivíduo para outro, é, como todas as outras capacidades plenamente humanas, um produto da experiência coletiva que vai bem mais além dessa própria experiência. O diálogo entre cinema, história e memória (SANTOS, 2009) é possível devido a importância que os filmes têm hoje na vida das pessoas. A arte faz parte da vida e não há outro meio de interpretá-la senão dentro do curso da vida do mundo (GEERTZ, 1997). No caso das obras cinematográficas sobre a ditadura militar, “os filmes organizam imaginativamente, pela emoção, uma memória suplementar, a qual se refere tanto àquele passado como aos momentos posteriores” (SOUZA, 2008 p. 51).
Os filmes selecionados para análise serão a partir do período conhecido como “retomada do cinema brasileiro”, em 1995. No primeiro momento, no qual se encontra a presente pesquisa, está sendo realizado um levantamento bibliográfico e filmográfico para concluir a metodologia, além de entender a relação entre memória, cinema e antropologia. A princípio, o passo seguinte é analisar a relação do jovem com o cinema brasileiro, a partir do levantamento de filmes feitos para a juventude e a recepção deles pelo público, pesquisando dados como bilheteria, temáticas e a forma como o jovem é retratado.
Em seguida, haverá uma discussão de aspectos da ditadura militar no Brasil, além de um estudo de como os filmes nacionais tratam o tema, analisando obras consideradas importantes devido a temática, seu sucesso e a história por trás de sua produção, como Batismo de Sangue e Ação entre Amigos.
Por último, será demonstrado como o cinema pode ajudar a contar outra história da ditadura no país, disseminando diferentes memórias para a juventude e como ela a recepciona, a partir da análise da linguagem, da narrativa, dos atores, das histórias e também da carreira cinematográfica, a recepção e a opinião dos jovens.
Barbosa (1999) acredita que o cinema e a antropologia têm estabelecido um intenso diálogo ao longo de suas histórias, sendo um deles compreender as relações entre a produção imagética de uma sociedade e sua própria vida social. Sem cair ingenuamente no engano de considerar o cinema como espelho da vida, procura-se caminhos para desvendar essa complexa relação entre arte e vida
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BARBOSA, Andréa C. M. Marques. Ana Lúcia Andrade. O filme dentro do filme. Revista de Antropologia, 2000. Disponível em http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-77012000000100013. Acesso em outubro de 2010.
BARROS, Edgar. Os governos militares. São Paulo: Editora Contexto, 1994.
GEERTZ, Clifford. A interpretação das culturas. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1978
HALBWACHS, Maurice. A memória coletiva. São Paulo: Vértice, Editora Revista dos Tribunais, 1990.
POLLAK, Michael. Memória, esquecimento, silêncio. Rio de Janeiro: Estudos históricos, 1989.
SOUZA, Maria Luiza Rodrigues. Tese de doutorado: Um estudo das narrativas cinematográficas sobre as ditaduras militares no Brasil (1964 – 1985) e na Argentina (1976 – 1983). Brasília: Universidade de Brasília, 2007.
ZANINI, Maria Catarina Chitolina. Por que cinema com antropologia? Breve relato de uma experiência etnográfica de recepção fílmica. UFSCAR, 2008.
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quarta-feira, 3 de novembro de 2010
terça-feira, 6 de julho de 2010
Cinema Africano
Encontrei um interessante dicionário sobre cinema africano. Organizado por ARMES, Roy. Dictionnaire des cineastes africains de long métrage. Paris, editions Karthala, 2008. Se desejarem ter acesso aos títulos de filmes produzidos na África e seus realizadores, com ficha técnica e biografia, entrem no site: www.cine3mondes.fr Particularmente, estou interessado no cinema angolano, registro aqui alguns dos principais cineastas e filmes produzidos no país:
Sarah Maldoror (Sambizanga, 1972), Ruy Duarte de Carvalho (Nelisita: narrativas nyaneka, 1982), António Olé (Resistência Popular em Benguela, 1976), Orlando Fortunato (Memória de um dia, 1982), Jorge António (O Miradouro da Lua, 1992), Maria João Ganga (Na Cidade Vazia, 2004), Zezé Gamboa (O Herói, 2006), Ondjaki (Oxalá Cresçam Pitangas, 2006).
Sarah Maldoror (Sambizanga, 1972), Ruy Duarte de Carvalho (Nelisita: narrativas nyaneka, 1982), António Olé (Resistência Popular em Benguela, 1976), Orlando Fortunato (Memória de um dia, 1982), Jorge António (O Miradouro da Lua, 1992), Maria João Ganga (Na Cidade Vazia, 2004), Zezé Gamboa (O Herói, 2006), Ondjaki (Oxalá Cresçam Pitangas, 2006).
terça-feira, 15 de junho de 2010
DocLisboa exibe filme angolano sobre kuduro
O documentário, que integra a competição portuguesa de longas-metragens, centra-se no estúdio de DJ Buda, um conhecido produtor e músico de Luanda que se dedica ao kuduro, mas o filme acaba por ser um retrato da juventude luandense e a sua relação com aquele estilo musical. “É emblemático do que são os jovens em Luanda, são muito batalhadores pelos seus sonhos”, disse Inês Gonçalves, que rodou o filme com Kiluanje Liberdade no Verão de 2008.
No filme, os realizadores acompanham a vida de DJ Buda no seu estúdio num musseque nos arredores de Luanda e o processo de gravação das dezenas de miúdos que por lá passam para cantar um poema, por cima de uma batida de kuduro.
Para DJ Buda, o estúdio é um negócio, mas para muitos dos jovens que por lá passam, a gravação de um tema ou de um disco de kuduro é como “um ritual de iniciação”, opinou Inês Gonçalves. “Há uma necessidade enorme daqueles miúdos de se iniciarem, muitos não querem ter uma vida de artista ou profissional, mas gravar é uma coisa importante para eles”, disse.
São miúdos poetas, que “cantam o que gostavam que o mundo fosse, ou falam da vida deles”, disse Inês Gonçalves. O estilo que predomina é agressivo, rápido como a rajada de uma metralhadora, inspirado no mundo onde habitam.
Inês Gonçalves e Kiluanje Liberdade conheceram DJ Buda há quatro anos quando estiveram em Luanda para fazer o projecto “Agora Luanda” e logo ali perceberam que havia uma boa história para contar. “Queria filmar aquela personagem, a sua ambição, a forma de fazer discos, que é igual a outros sítios, mas com outros meios”, justificou.
Inês Gonçalves e Kiluanje Liberdade, realizador angolano, voltam a filmar juntos depois de “Outros bairros” (1999), no qual participa também Vasco Pimentel, e “Agora Luanda” (2006), que incluiu um filme, um livro e uma exposição de fotografia.
“Luanda, fábrica de música” será exibido no sábado no Cinema Londres, às 23h00, e no domingo no grande auditório da Culturgest, às 19h00.
O sétimo DocLisboa começa hoje e termina no dia 25.
(notícia publicada pelo Jornal Público em 14/10/2009, no site: http://www.publico.pt/Cultura/doclisboa-exibe-filme-angolano-sobre-kuduro_1405122
No filme, os realizadores acompanham a vida de DJ Buda no seu estúdio num musseque nos arredores de Luanda e o processo de gravação das dezenas de miúdos que por lá passam para cantar um poema, por cima de uma batida de kuduro.
Para DJ Buda, o estúdio é um negócio, mas para muitos dos jovens que por lá passam, a gravação de um tema ou de um disco de kuduro é como “um ritual de iniciação”, opinou Inês Gonçalves. “Há uma necessidade enorme daqueles miúdos de se iniciarem, muitos não querem ter uma vida de artista ou profissional, mas gravar é uma coisa importante para eles”, disse.
São miúdos poetas, que “cantam o que gostavam que o mundo fosse, ou falam da vida deles”, disse Inês Gonçalves. O estilo que predomina é agressivo, rápido como a rajada de uma metralhadora, inspirado no mundo onde habitam.
Inês Gonçalves e Kiluanje Liberdade conheceram DJ Buda há quatro anos quando estiveram em Luanda para fazer o projecto “Agora Luanda” e logo ali perceberam que havia uma boa história para contar. “Queria filmar aquela personagem, a sua ambição, a forma de fazer discos, que é igual a outros sítios, mas com outros meios”, justificou.
Inês Gonçalves e Kiluanje Liberdade, realizador angolano, voltam a filmar juntos depois de “Outros bairros” (1999), no qual participa também Vasco Pimentel, e “Agora Luanda” (2006), que incluiu um filme, um livro e uma exposição de fotografia.
“Luanda, fábrica de música” será exibido no sábado no Cinema Londres, às 23h00, e no domingo no grande auditório da Culturgest, às 19h00.
O sétimo DocLisboa começa hoje e termina no dia 25.
(notícia publicada pelo Jornal Público em 14/10/2009, no site: http://www.publico.pt/Cultura/doclisboa-exibe-filme-angolano-sobre-kuduro_1405122
domingo, 17 de maio de 2009
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